Assembleias Legislativas em todo o Brasil registram um aumento de propostas conservadoras focadas no controle do conteúdo escolar. O movimento marca uma transição de debates sobre linguagem para ações diretas sobre o que é ensinado em sala de aula, visando garantir o poder de veto das famílias.

Qual é a principal mudança na pauta conservadora sobre educação?

O foco saiu de temas como a linguagem neutra (o uso de termos como ‘todes’) e passou a se concentrar diretamente no currículo escolar. Em 2026, uma em cada três propostas apresentadas por parlamentares de direita trata do que os alunos aprendem em sala de aula, buscando dar aos pais o direito de decidir sobre conteúdos relacionados a gênero e orientação sexual.

Como funcionam os projetos de lei sobre aviso e autorização?

Projetos no Paraná e em Belo Horizonte propõem que as escolas sejam obrigadas a notificar as famílias previamente sobre atividades pedagógicas que envolvam temas de gênero. Pais teriam o direito de proibir a participação dos filhos, e as instituições que descumprirem a regra poderiam enfrentar punições como multas ou até a perda do alvará de funcionamento.

Existe alguma lei desse tipo já em vigor no Brasil?

Sim, em Santa Catarina foi sancionada a Lei nº 19.776/2026. Ela dá às famílias o poder de decisão sobre conteúdos assistidos pelos filhos nas salas de aula catarinenses, exigindo concordância por escrito. Embora já esteja valendo, a medida enfrenta contestações na Justiça, o que é comum em temas que geram conflito entre as decisões estaduais e o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF).