As vitórias sucessivas da direita em eleições na América Latina estão levando a um enfraquecimento sistemático do Foro de São Paulo. Com menos apoio institucional de governos de esquerda, seus membros estão recorrendo a manifestações, violência e o não reconhecimento de governos de direita legitimamente eleitos.

O presidente colombiano em fim de mandato, Gustavo Petro, cuja base de sustentação política da coalizão Pacto Histórico integra o Foro de São Paulo, não reconheceu a eleição neste ano do direitista Abelardo de la Espriella e convocou manifestações para o próximo dia 20. Espriella suspendeu o processo de transição, acusou Petro de tentar orquestrar um “golpe de Estado” e fez um apelo às Forças Armadas para protegerem a democracia.

Na Bolívia, apoiadores do ex-presidente Evo Morales, também ligado ao Foro de São Paulo, se juntaram a manifestantes que entraram em confronto com forças policiais em La Paz em um movimento pela deposição do presidente de direita Rodrigo Paz, eleito no fim do ano passado. Os protestos ocorreram entre maio e junho e incluíram até o uso de dinamite e um cerco que resultou no desabastecimento da capital.

Morales, que é investigado por abuso sexual contra uma menor, se refugiou na região de Chapare e incentivou os protestos. Ele deu entrevistas incentivando uma insurreição popular contra o governo “neoliberal” e “neocolonial”.