As emendas parlamentares destinadas à saúde financiaram, em 2025, mais cadeiras, computadores, aparelhos de ar-condicionado e outros materiais de escritório do que equipamentos médicos utilizados no atendimento da população. O levantamento realizado pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (Ieps) mostra que os itens de infraestrutura foram comprados em quantidade mais que duas vezes superior aos equipamentos clínicos na Atenção Primária à Saúde.

Na prática, isso significa que uma parcela maior dos recursos foi destinada à estrutura das unidades de saúde do que a aparelhos usados diretamente por médicos e enfermeiros no diagnóstico e acompanhamento dos pacientes.

O levantamento divulgado nesta quarta-feira (22) pela Folha de S. Paulo mostra que, entre os equipamentos adquiridos com emendas individuais, 65,7% eram itens de infraestrutura e material de escritório, enquanto apenas 27,9% correspondiam a equipamentos médicos de baixo custo, como eletrocardiógrafos.

A Gazeta do Povo procurou o Ministério da Saúde para explicar a destinação das emendas e aguarda retorno. À Folha, a pasta informou que o orçamento do SUS para 2026 chegou a R$ 247,5 bilhões, valor 77% maior que o de 2022, e que apenas executa as emendas aprovadas pelo Congresso Nacional.