A tentativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de manter distância de Alexandre de Moraes em meio à atual crise contraria um longo histórico de apoio público e interlocução próxima com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

Nos episódios mais marcantes dessa relação, Lula:

  • teve Moraes como intermediário na reaproximação com Davi Alcolumbre, em agosto de 2026;
  • atuou pessoalmente junto a Trump pela retirada das sanções da Magnitsky contra Moraes, em dezembro de 2025;
  • ofereceu jantar no Alvorada como gesto de apoio a Moraes após a Magnitsky, em julho de 2025;
  • determinou uma defesa incondicional de Moraes pelo governo, em julho de 2025, enquanto integrantes do Executivo fizeram uma defesa pública do ministro diante das sanções americanas;
  • escolheu para o TSE nomes apoiados por Moraes, em julho de 2025;
  • manteve reunião reservada no Alvorada com Moraes, Gilmar Mendes, Zanin, Paulo Gonet e o diretor-geral da PF, em novembro de 2024;
  • convidou Moraes para lugar de honra no 7 de Setembro como gesto público de apoio, em setembro de 2024;
  • indicou Paulo Gonet para a PGR, em novembro de 2023, numa escolha considerada uma vitória de Moraes e Gilmar Mendes, que apoiavam seu nome;
  • condecorou Moraes com a Ordem do Rio Branco, em novembro de 2023;
  • exaltou a “coragem estupenda” e o “comportamento exemplar” de Moraes e o chamou de “orgulho de todo o Brasil”, em novembro de 2022.

Em sua primeira manifestação após a divulgação das mensagens entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, Lula não citou o ministro pelo nome. Disse apenas que é “fundamental investigar todo mundo, sem blindagem de ninguém” e, nesta sexta-feira (4), afirmou que ninguém pode usar um cargo público em benefício próprio “em nome da democracia”.