O relatório da Polícia Federal (PF) divulgado na terça-feira (1º) mostrou Moraes mantendo vários encontros privados com Daniel Vorcaro, sendo procurado pelo banqueiro para interceder junto às cúpulas da PF e da Procuradoria-Geral da República e ajudando a editar um contrato milionário do Master com o escritório de sua mulher. Em pouco tempo, porém, parte da reação midiática e dentro das próprias instituições deixou de se referir ao conteúdo das descobertas e passou a focar em outra questão: se o ministro André Mendonça, relator do caso, teria agido “fora do rito” ao mandar a PF organizar e apresentar as informações que estavam no celular de Daniel Vorcaro.

A discussão sobre Mendonça tem funcionado como cortina de fumaça para o conteúdo do relatório e, ao mesmo tempo, como álibi para Moraes. O deslocamento do foco dá ao ministro força para uma eventual retaliação contra Mendonça – já sinalizada na quinta-feira (3), com sua inclusão no inquérito das fake news –, enquanto empurra para um plano de menor importância as revelações que deram origem à controvérsia.

O relatório da PF reúne algumas das revelações mais graves já feitas sobre a conduta de uma autoridade da República na história. Moraes aparece como o principal canal de Vorcaro com a cúpula do Estado.

Mesmo assim, a primeira reação institucional com o objetivo de inverter o alvo do escrutínio público veio cedo, ainda na terça-feira (1º). O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu ao STF a anulação da parte da investigação determinada por Mendonça.