Lançado pelo governo federal em maio para facilitar a compra de veículos novos por taxistas e motoristas de aplicativo, o programa Move Brasil enfrenta sérias dificuldades de adesão. Com um orçamento autorizado de R$ 30 bilhões, a iniciativa liberou apenas R$ 4 bilhões em crédito até o início de setembro de 2026. O baixo desempenho é atribuído a critérios rígidos de crédito e falhas operacionais.

Quais são as principais regras e benefícios oferecidos pelo Move Brasil?

O programa é gerenciado pelo Ministério do Desenvolvimento e operado por meio do BNDES ou bancos habilitados. Ele permite financiar até 100% do valor do automóvel, com uma carência de seis meses para começar a pagar. O grande atrativo são as taxas de juros, limitadas a 12,6% ao ano para homens e 11,5% para mulheres, o que representa menos da metade do que o mercado costuma cobrar. Apesar dessas condições favoráveis, o governo admite que o programa esbarra em reprovações na análise de crédito e no baixo interesse das instituições financeiras privadas em assumir os riscos.

Por que o programa não está chegando aos motoristas que mais precisam?

O principal entrave é a exigência de nome limpo. Segundo a Associação de Motoristas de Aplicativo de São Paulo, cerca de 92% da categoria possui restrições no CPF, o que os impede de passar na análise de crédito dos bancos. Para muitos desses profissionais, o programa ajuda apenas quem já tinha condições financeiras, enquanto aqueles com dificuldades reais continuam dependentes de locações de veículos com preços muito altos. Mesmo com o governo aumentando o limite de financiamento para R$ 200 mil, a barreira do CPF negativado impede que a maior parte da classe seja beneficiada pela linha.

Quais falhas operacionais e críticas cercam a iniciativa do governo?

O Move Brasil começou a operar antes que o Fundo Garantidor para Investimentos (FGI) estivesse pronto. Esse fundo serve para diminuir o risco dos bancos em caso de calote, e o atraso de duas semanas na sua implementação gerou insegurança nas instituições financeiras. Além disso, o regulamento não exige que os carros financiados sejam produzidos no Brasil. Isso abriu espaço para o fortalecimento de montadoras chinesas, que vendem modelos importados ou montados aqui com peças vindas de fora, gerando críticas de que a política pública acaba favorecendo fabricantes estrangeiros.