
A utilização da atividade de inteligência da Polícia Federal está no centro de um embate entre os ministros do STF Alexandre de Moraes e André Mendonça. No início de setembro de 2026, Moraes utilizou relatórios secretos para embasar uma investigação contra Mendonça, levantando preocupações de especialistas sobre o desvio de finalidade da instituição e o risco de sua transformação em uma polícia política.
Qual é a principal polêmica envolvendo o uso da inteligência policial?
A polêmica gira em torno da instrumentalização da Polícia Federal para fins que não são o combate ao crime. O setor de inteligência existe para antecipar movimentos de organizações criminosas e proteger o Estado, mas o problema surge quando ele passa a monitorar autoridades por suas convicções pessoais, religiosas ou posicionamentos políticos. No caso recente, relatórios apócrifos — ou seja, sem assinatura ou origem clara — foram usados para fundamentar investigações criminais entre ministros do Supremo Tribunal Federal, o que especialistas consideram um desvio grave das funções institucionais.
Como Alexandre de Moraes utilizou esses relatórios contra André Mendonça?
No dia 1º de setembro, o ministro Alexandre de Moraes solicitou à Polícia Federal relatórios secretos que monitoravam o ministro André Mendonça. Moraes usou esses documentos para acusar o colega de condutas como improbidade administrativa e abuso de autoridade. A ação foi vista como uma reação à decisão de Mendonça de tornar pública uma investigação que sugeria que Moraes teria recebido valores para proteger um ex-banqueiro. O uso desses relatórios sem critérios técnicos de validação gerou críticas sobre a falta de transparência e a possibilidade de Moraes ter ordenado a produção do material.
O que os relatórios de inteligência diziam sobre a política nacional?
Os documentos produzidos pela Polícia Federal em agosto continham análises puramente políticas e subjetivas. Eles sugeriam que o presidente Lula evitasse indicar Jorge Messias para o STF, alegando que ele e André Mendonça possuíam uma ‘matriz religiosa comum’ e apoio de igrejas evangélicas. Segundo a inteligência da PF, essa proximidade faria com que Messias priorizasse sua relação com Mendonça em vez de proteger os interesses do governo em casos sensíveis. Mendonça afirmou que esse nível de monitoramento ilegal sobre a vida privada e política de autoridades lembra distopias autoritárias.
Quais foram as consequências práticas desse embate no comando da PF?
A crise gerou uma série de decisões conflitantes no STF. O ministro André Mendonça chegou a determinar o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de inteligência, Leandro Almada, proibindo também a criação de novos relatórios. Contudo, o ministro Flávio Dino anulou o afastamento, e posteriormente o presidente da Corte, Edson Fachin, invalidou ambas as decisões. Andrei Rodrigues se defendeu afirmando que apenas cumpriu ordens de Moraes ao enviar os documentos e que a atividade de inteligência serve para gerar conhecimento, não necessariamente provas para condenações judiciais.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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