Nos idos da década de 2010, o então ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa parecia ser uma figura grande demais para desaparecer. Envergando sua toga, ele se tornou um dos rostos mais conhecidos do país ao comandar, como relator, o julgamento do caso do Mensalão. Alçado à condição de um quase herói nacional, Barbosa personificava a punição aos poderosos e como magistrado parecia ter amealhado um capital político raro aos seus pares.

A promessa eleitoral como um nome forte no combate à corrupção, porém, nunca passou disso: uma promessa. Se antes Barbosa parecia alguém que conseguiria converter em realidade qualquer projeto político que abraçasse, há muito que o ex-ministro não desperta o mesmo furor de outrora. Antes cotado como um outsider na política com potencial de vitória, ele se converteu em um outsider da vida pública desde sua saída precoce do STF.

O último lampejo de Barbosa ocorreu em maio deste ano, quando foi apresentado como pré-candidato do Democracia Cristã à Presidência da República nas eleições de 2026. A apresentação foi feita por meio de uma animação gerada por inteligência artificial, na qual o ex-ministro — ostentando a toga quase como uma heroica capa — chamava os eleitores para “virarem a página”.

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