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Planetário que está em construção no Paraná permitirá “pinçar” Júpiter para perto da Terra em cúpula de projeção 3 vezes maior que tela IMAX

Um novo planetário está em construção atualmente no Brasil. O Planetário do Parque da Ciência Newton Freire Maia, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, deve contar com grandes áreas de projeção, sistemas modernos e oferecerá a oportunidade de levar seus visitantes a uma viagem intergaláctica.

À CNN Brasil, a assessoria de comunicação da Secretaria de Estado da Educação do Paraná entregou detalhes de como serão as novas instalações, que devem ser inauguradas no início de dezembro.

A cúpula do planetário terá 18 metros de diâmetro e cerca de 510 metros quadrados de superfície de projeção. Para comparação, uma tela IMAX costuma ter entre 150 e 200 metros quadrados. Isso significa que a área de projeção do planetário será aproximadamente de 2,5 a 3,4 vezes maior.

O sistema será híbrido, com dois sistemas de projeção independentes, mas capazes de funcionar de forma integrada e simultânea. No centro ficará o Asterion Premium, um sistema óptico-mecânico em sua capacidade máxima. O Asterion reproduzirá cerca de 9 mil estrelas observáveis a olho nu em condições ideais, com posição, cor e brilho cientificamente precisos.

Para isso, o equipamento tem 9 mil fibras ópticas: cada estrela é gerada por uma fibra específica. O sistema também representa a Via Láctea com mais de 2 bilhões de estrelas, além dos movimentos da Lua, suas fases, planetas e referências astronômicas como meridiano, eclíptica, equador celeste e desenhos das constelações.

Ao redor da cúpula serão instalados 11 projetores VELVET LED, formando uma única imagem digital em 6K e formato fulldome, cobrindo 360º x 180º sem emendas aparentes. O conjunto será complementado por sistema de som, iluminação cênica e software de controle.

A edificação terá quase 5 mil metros quadrados e utiliza madeira engenheirada. Segundo levantamento da direção do Parque, deverá estar entre as maiores estruturas do gênero no Brasil.

Viagem no tempo e espaço

Para Anísio Lasievicz, diretor do Parque da Ciência Newton Freire Maia, o planetário deverá funcionar como uma espécie de máquina do tempo, permitindo que o visitante possa sair da Terra para percorrer o Universo em uma linha do tempo que pode voltar bilhões de anos em poucos segundos.

“Os planetários são máquinas do tempo, um espaço onde a nossa imaginação flui livre. A gente pode explorar mundos muito diversos em questão de segundos, voltar para a Terra, ir para os confins do Universo conhecido e voltar. E os equipamentos mais modernos trazem recursos para que essas viagens sejam cada vez mais bonitas, impactantes e próximas daquilo que a gente conhece cientificamente”, aponta.

O sistema desenvolvido permitirá voltar, parar ou acelerar o tempo para reconstruir as configurações do céu. Além disso, será possível mover planetas de seus respectivos lugares ao interagir com a superfície de projeção de cerca de 510 metros quadrados.

“Você pode estar olhando para Júpiter no céu, pinçar Júpiter e trazer ele para perto, colocar ele do tamanho da tela do planetário. Aí você consegue ver a atmosfera, o planeta girando em torno do próprio eixo e o balé que as luas executam ao redor dele. Pode pinçar uma dessas luas, isolar e mostrar como ela gira e se movimenta em torno de Júpiter”, explica  Lasievicz.

O planetário permitirá entrar em nebulosas, acompanhar sistemas planetários em formação e observar o nascimento, a evolução e a morte de estrelas, além de representar supernovas, estrelas de nêutrons e buracos negros. 

Anísio também usa uma referência de “Star Wars” ao entregar que será possível visitar outros sistemas planetários já conhecidos.  

“A gente pode viajar para outros sistemas planetários. Eu brinco que dá para ir para Tatooine, porque existem planetas que orbitam duas estrelas. Então você consegue mostrar um mundo com dois sóis. Também dá para viajar por dentro de nebulosas que vão dar origem às estrelas, mostrar sistemas estelares se formando, acompanhar o nascimento de uma estrela, a evolução dela e, no fim, ver essa estrela explodindo ou se transformando em outro objeto”, conta.

O céu do Paraná não será o único ponto a ser observado nas instalações. Alterando as coordenadas, será possível reproduzir o firmamento visto de qualquer ponto da Terra, desde o Hemisfério Norte até o Hemisfério Sul. 

A tecnologia que será instalada no planetário também permitirá que o céu seja analisado por meio de informações obtidas em diferentes faixas do espectro eletromagnético, não apenas aquilo que seria visível aos olhos humanos.

De onde vêm as imagens e os dados do Universo?

As imagens que serão exibidas no planetário não são ilustrações inventadas. O sistema combina bancos de dados astronômicos com observações feitas por telescópios, além de imagens obtidas por sondas e missões espaciais e modelos físico-matemáticos. 

O software ZEISS usa uma biblioteca de imagens com informações provenientes de catálogos científicos, além da representação da Via Láctea utilizada pelo sistema Asterion, com base em missões realizadas para mapear o céu.

O banco possui informações catalogadas por sistemas omo SIMBAD e VizieR e ferramentas como o atlas Aladin, que permitem acessar informações, imagens, coordenadas e características de milhões de objetos celestes. 

“Uma sonda pode orbitar Júpiter durante meses e esquadrinhar o planeta. A partir disso, você obtém imagens e texturas que são colocadas em um modelo tridimensional. É parecido com o princípio da computação gráfica, só que você está partindo das informações científicas que a gente conhece”, afirma Anísio. 

Espaço multiuso

O novo espaço terá também auditório, salas expositivas, laboratórios, ambientes pedagógicos e administrativos, áreas de apoio e serviços ao visitante. O projeto contempla ainda novos equipamentos para ampliar as atividades práticas de observação do céu. 

A Fundação Araucária, que destinou recursos para a aquisição do sistema de projeção, também é parceira na expansão da estrutura. O Parque aguarda a liberação de novos recursos para a compra de 14 telescópios – dez para observação noturna e quatro solares -, além de filtros, lentes, câmeras e outros componentes. 

A obra é executada sob responsabilidade do Fundepar, e o Parque é reformado com a ajuda da Seed-PR, da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional (Fundepar), da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), da Fundação Araucária e do Fundo Paraná. 

Os equipamentos ZEISS Planetariums representam investimento de € 5,16 milhões, cerca de R$ 32,9 milhões. A obra teve custo aproximado de R$ 46,5 milhões.

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