A Polícia Federal apura se Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula, e dois aliados próximos intervieram em um contrato entre a estatal e a fabricante de fertilizantes Unigel. A investigação analisa se o grupo atuou nos bastidores para favorecer a empresa privada em um acordo de produção que poderia causar um prejuízo estimado em quase R$ 500 milhões aos cofres da Petrobras.

Como funcionaria o modelo de negócio investigado no contrato da Petrobras?

O centro da investigação é um contrato de tolling. Nesse modelo, a Petrobras entregaria o gás natural (matéria-prima) para que a Unigel fabricasse fertilizantes em unidades na Bahia e em Sergipe. Em vez de dinheiro, a Unigel devolveria o produto pronto para a estatal vender. O Tribunal de Contas da União (TCU) e a própria Petrobras apontaram riscos graves: a estatal assumiria custos altos em um momento de gás caro e fertilizantes em baixa. Na prática, a Petrobras financiaria a operação da empresa privada sem garantia de retorno, gerando um risco de perda de R$ 487 milhões.

O que as defesas dos envolvidos dizem sobre as acusações e vazamentos?

O advogado de Fábio Luís Lula da Silva criticou o que chamou de vazamentos criminosos e seletivos de informações sigilosas. Segundo a defesa, o compartilhamento desses dados impede que os advogados contextualizem as provas e serve apenas para criar fatos políticos antes da devida apuração, prejudicando a imagem das instituições e o processo eleitoral. Roberta Luchsinger também classificou os vazamentos como criminosos. Já a defesa de Marcola negou qualquer intermediação irregular, afirmando que ele apenas cumpriu ritos institucionais de organização de agenda da Presidência.

O que aconteceu com o polêmico contrato e qual a posição da estatal?

Apesar de assinado em dezembro de 2023, o contrato nunca chegou a produzir resultados efetivos. A Petrobras informou que a vigência foi encerrada em junho de 2024 porque as condições necessárias para que ele funcionasse não foram cumpridas. A companhia reforçou que as negociações seguiram normas de governança e foram feitas por comissões técnicas focadas nos interesses da empresa. Atualmente, a Petrobras reassumiu as fábricas e contratou outra prestadora de serviços. A Presidência da República negou que o presidente Lula tenha participado ou recebido demandas sobre o caso.