Há um padrão que merece atenção nas eleições brasileiras recentes: em algumas disputas importantes, candidatos da direita chegaram às urnas com votações significativamente superiores às indicadas por pesquisas realizadas às vésperas da eleição.

Em 2018, o último Datafolha (registro: BR-01584/2018) dava Jair Bolsonaro com 40% dos votos válidos. Ele terminou com 46,03%. Em 2022, o mesmo instituto (registro no TSE BR-00245/2022) registrava 36%; Bolsonaro alcançou 43,20%. Foram diferenças de aproximadamente seis e sete pontos percentuais.

O fenômeno também apareceu em algumas eleições municipais de 2024. Em Fortaleza, Datafolha (registro no TSE CE-03351/2024) e Quaest (registro no TSE CE-02146/2024) apontavam André Fernandes com 33% dos votos válidos; ele terminou com 40,20%. Em Belo Horizonte, Bruno Engler tinha 26% no Datafolha (registro no TSE MG-05500/2024) e obteve 34,38% nas urnas.

Esses casos não demonstram que exista um viés permanente contra a direita. Mas levantam uma questão mais interessante: parte das diferenças que vemos entre pesquisas pode ser sistemática, e não apenas ruído estatístico?