Uma organização de direitos humanos denunciou a existência de uma prisão secreta dentro da embaixada da Coreia do Norte em Pequim, na China, onde o regime de Kim Jong-un manteria presos e interrogaria norte-coreanos que tentam fugir do país. A denúncia foi apresentada nesta semana pela Transitional Justice Working Group (TJWG), organização de direitos humanos sediada em Seul, em um relatório sobre a repressão promovida por Pyongyang contra seus cidadãos em território chinês.

Segundo o relatório, a instalação funcionaria no subsolo do prédio da seção consular da embaixada, no distrito de Chaoyang. Norte-coreanos enviados para trabalhar na China ou em outros países e suspeitos de tentar “desertar” (como Pyongyang chama os cidadãos que tentam sair do país) seriam levados ao local, interrogados e posteriormente enviados de volta à Coreia do Norte.

O relatório foi elaborado a partir de entrevistas e pesquisas em diversas fontes. Entre as pessoas ouvidas pelos autores do documento está um ex-diplomata norte-coreano. Segundo o relatório, a operação seria comandada por um representante da segurança enviado pela inteligência de Pyongyang, que oficialmente ocupa um cargo consular na China.

Quando um norte-coreano enviado ao exterior desaparece ou tenta fugir, informações sobre o caso seriam reunidas e comunicadas a Pyongyang em um prazo de 12 a 24 horas, diz o documento. Após receber instruções do regime, agentes localizariam o “desertor” e o levariam para a embaixada em Pequim. Depois dos interrogatórios, os detidos seriam enviados à Coreia do Norte em voos diretos da companhia estatal Air Koryo.