Otaviano Pivetta (Republicanos) foi reeleito governador do Mato Grosso na noite deste domingo (4), após a realização do primeiro turno das eleições 2026.
Após 100% das seções eleitorais totalizadas, Pivetta somou 60,77% dos votos válidos (1.128.099 votos). De acordo com informações oficiais divulgadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os outros candidatos a governador do Mato Grosso tiveram o seguinte resultado:
- Wellington Fagundes (PL): 23,19% (430.442 votos);
- Natasha Slhessarenko (PSD): 15,17% (281.548 votos);
- Rafaell Millas (Missão): 0,55% (10.300 votos);
- Sargento Laudicério (Agir): 0,17% (3.210 votos);
- Maurício Coelho (Mobiliza): 0,15% (2.694 votos).
Pivetta assumiu o governo para disputar a sucessão de Mauro Mendes
Otaviano Pivetta entrou na disputa pelo governo de Mato Grosso de forma direta pela primeira vez. Vice-governador desde 2019 e reeleito em 2022, ele assumiu o Palácio Paiaguás, sede do governo estadual, no fim de março, quando Mauro Mendes (União) renunciou ao cargo para concorrer ao Senado.
Antes disso, Pivetta foi candidato a vice-governador em 2010 e 2018 e foi prefeito de Lucas do Rio Verde por três mandatos: de 1997 a 2004, pelo então PFL, e de 2013 a 2016, pelo PDT.
Na chapa deste ano, a vice é Gisela Simona (União Brasil). A coligação reúne o Republicanos com a Federação PSDB Cidadania, a Federação União Progressista e o Podemos.
De acordo com os dados entregues ao TSE, Pivetta declarou o maior patrimônio entre todos os candidatos a governador do país, de R$ 575,6 milhões. Empresário do ramo agropecuário, ele possui investimentos em propriedades de soja, milho e algodão, além de criação de suínos e bovinos.
Na corrida presidencial, o governador declarou apoio a Flávio Bolsonaro (PL), mesmo com o Republicanos tendo decidido manter independência em âmbito nacional. Pivetta justificou a escolha com o discurso de derrotar o PT, ainda que o PL tenha lançado candidato próprio ao governo no estado.
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Fagundes tenta chegar ao governo pela segunda vez
Wellington Fagundes está no Senado desde 2015 e, antes disso, foi deputado federal por 24 anos. Tendo sido presidente da Associação Comercial Industrial de Rondonópolis, presidiu o diretório do PL no Mato Grosso de 2009 a 2022.
Esta é a segunda tentativa dele de governar Mato Grosso. Em 2018, pelo então PR, terminou em segundo lugar, com 19,56% dos votos válidos (280.055 votos), na eleição vencida por Mauro Mendes, que ficou com 58,69% (890.094 votos). Em 2022, Fagundes foi reeleito senador com mais de 825 mil votos (63,54% dos votos válidos), em uma coligação encabeçada pelo União Brasil e que reunia também o Republicanos.
Neste ano, encabeça a coligação “Coração da gente”, formada por PL, MDB, Novo e a Federação Renovação Solidária (PRD e Solidariedade). O vice é Reinaldo Morais (Novo).
Fagundes é o candidato do partido de Flávio Bolsonaro no estado. Desde o início da campanha, acentuou-se o rompimento de Fagundes com o grupo político do ex-governador Mauro Mendes (União), o que atingiu a base do próprio PL.
Prefeitos eleitos pelo PL em alguns dos maiores colégios eleitorais do estado declararam apoio à reeleição de Pivetta, contrariando a orientação da legenda de trabalhar por Fagundes. No primeiro debate, Fagundes e Pivetta trocaram acusações sobre obras rodoviárias e a atuação do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).
Natasha reuniu PSD e PT em torno da primeira candidatura
A médica Natasha Slhessarenko (PSD), de 58 anos, nasceu em Cuiabá e entrou na disputa de uma eleição pela primeira vez. Ela é a única mulher entre os candidatos ao governo de Mato Grosso neste ano.
A candidata encabeça a coligação “Mato Grosso para todos”, que reúne partidos de esquerda e de centro-esquerda: PSD, PDT, PSB, a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) e a Federação PSOL Rede. O vice na chapa é Diogo Botelho (PDT).
A composição garantiu palanque ao presidente Lula (PT) no estado, porém, Slhessarenko buscou uma distância segura em relação ao presidente Lula. A posição mais próxima de uma neutralidade evitou atrair para a própria candidatura a rejeição ao presidente.
Na reta final da campanha, a candidata afirmou mirar, além dos votos da esquerda, os votos de centro. Questionada sobre uma maior aproximação com Lula ou um afastamento do presidente nos últimos dias da disputa, descartou as duas alternativas e disse que não tem que “se grudar nem se isolar”.
Eleição no MT define quem governa o maior produtor de grãos do país
O próximo governador vai comandar o estado detentor do título de principal polo do agronegócio brasileiro. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Mato Grosso alcançou novo recorde, de 115 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, quase um terço da produção nacional. Mato Grosso também lidera a produção de soja e de milho.
Esse peso econômico transforma decisões estaduais em temas de alcance nacional. Um caso recente é a Lei Estadual nº 12.709/2024, aprovada na gestão do ex-governador Mauro Mendes (União), que proíbe a concessão de incentivos fiscais e de terrenos públicos a empresas que participam de acordos como a Moratória da Soja.
Criado em 2006, o pacto voluntário prevê que empresas do setor não comprem soja produzida em áreas da Amazônia desmatadas. A lei teve apoio do setor produtivo, que argumenta que o acordo vai além das exigências legais, e foi questionada por partidos políticos, segundo os quais ela prejudica empresas que adotam padrões ambientais mais rígidos.
Em agosto, o Supremo Tribunal Federal (STF) validou, por maioria, tanto a lei mato-grossense quanto a moratória. Os ministros definiram, porém, que a retirada de benefícios fiscais só pode valer depois de cumpridos os prazos tributários previstos na Constituição.
A decisão também validou uma lei semelhante de Rondônia e determinou a extinção de ações sobre a moratória em todo o país. Segundo o relator, ministro Flávio Dino, a definição era necessária para dar segurança jurídica a um setor com impacto sobre crédito, investimentos e exportações.
A relação com o governo federal também pesa na logística de escoamento da safra, que depende de rodovias federais e de obras sob responsabilidade da União. Por isso, o alinhamento do governador eleito com o próximo presidente interessa diretamente ao setor produtivo.
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