Dos 54 eleitos neste domingo (4), 30 candidatos ao Senado declararam que são favoráveis ao impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) neste ano, conforme o levantamento da Gazeta do Povo. O número representa 55% das cadeiras em disputa no primeiro turno das eleições de 2026 e intensifica o movimento da direita conservadora pela abertura dos processos para responsabilização dos magistrados. 

A aprovação dos indicados ao STF e a cassação dos mandatos dos ministros são prerrogativas do Senado e ganharam o apoio da opinião pública com o agravamento da crise institucional na Suprema Corte. Após o ministro André Mendonça levantar o sigilo do processo que trata da suspeita das ligações entre Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, no início de setembro, muitos candidatos ao Senado passaram a defender a renúncia de Moraes ou a abertura do processo de impeachment. 

A adesão no último mês de campanha é vista com desconfiança por parte da direita, mas o PL — que terá uma bancada de 28 senadores a partir de 2027 — faz o cálculo para conquistar a maioria da Casa Alta. Primeiro, o objetivo é vencer a disputa pela Presidência do Senado em fevereiro. Com o controle da pauta de votação, o próximo passo é alcançar 54 senadores pró-impeachment, quórum exigido para abertura do processo e para a cassação dos ministros do STF.

Por isso, os senadores eleitos por partidos da centro-direita, como Republicanos, União Brasil, Progressistas e PSDB, que se colocaram a favor do impeachment durante a campanha, devem ser cobrados pela manutenção do posicionamento. Entre as siglas, o apoio do Novo é certo. A direção nacional do partido estabelece que apenas candidatos favoráveis aos processos de responsabilização dos ministros suspeitos de crimes são autorizados a disputar as eleições ao Senado.