
O partido Alternativa para a Alemanha (AfD), da direita nacionalista, conquistou nesta terça-feira (6), pela primeira vez desde a criação da legenda, a presidência de um Parlamento estadual na Alemanha. Tobias Rausch, de 35 anos, foi o parlamentar da AfD eleito para comandar o Legislativo da Saxônia-Anhalt, estado onde o partido venceu as eleições regionais realizadas há exatamente um mês.
A votação ocorreu durante a primeira sessão da nova legislatura, em Magdeburgo. Em uma eleição secreta, Rausch recebeu 48 votos favoráveis, contra 29 contrários e cinco abstenções. Dos 83 deputados eleitos, 82 participaram da sessão.
O resultado foi além dos votos que a AfD conseguiria apenas com sua própria bancada. O partido tem 39 das 83 cadeiras e contou ainda com o apoio anunciado dos cinco deputados da legenda de esquerda BSW. As duas legendas somam 44 parlamentares, enquanto Rausch recebeu 48 votos.
Cabe a quem ocupa o posto de presidente do Parlamento estadual representar o Legislativo, comandar as sessões, garantir o cumprimento das regras da Casa e preservar os direitos da instituição e seus parlamentares. Antes de alcançar o posto nesta terça, Rausch vinha exercendo a função de diretor parlamentar da bancada da AfD no legislativo estadual.
Após assumir o cargo, ele disse que quer que o Parlamento continue sendo um lugar onde adversários políticos possam conversar e afirmou que diferenças de opinião não deveriam impedir um tratamento considerado normal e justo entre os deputados.
A AfD conseguiu ainda outro posto na direção da Casa. Hans-Thomas Tillschneider, também integrante do partido, foi escolhido como um dos vice-presidentes. O outro cargo ficou com Carsten Borchert, da CDU, partido de centro-direita. Com isso, a legenda passou a ocupar dois dos três postos da presidência do novo Parlamento estadual.
AfD dobrou votação em cinco anos
A chegada de Rausch à presidência ocorre um mês depois da forte expansão eleitoral da AfD na Saxônia-Anhalt. Na eleição estadual de 6 de setembro, o partido recebeu 43,8% dos votos, contra 20,8% em 2021, e tornou-se a maior força do Parlamento, com 39 cadeiras.
A CDU ficou em segundo lugar, com 17,2%, seguida pelas legendas de esquerda SPD, com 9,3%, pelos Verdes, com 8,9%, pelo A Esquerda, com 8,6%, e pelo BSW, com 5,3%. Apesar da vitória, a AfD ficou abaixo das 42 cadeiras necessárias para controlar sozinha a maioria do Parlamento.
O avanço colocou a Saxônia-Anhalt no centro das discussões sobre a chamada “Brandmauer”, ou “muro de contenção”, expressão usada na política alemã para descrever a política de partidos tradicionais de evitar acordos de governo com a AfD. A própria direção nacional da legenda afirmou nesta terça que a eleição de Rausch representava o rompimento dessa barreira em Magdeburgo.
A escolha do presidente do Parlamento, porém, ainda não decide quem comandará o governo estadual. A eleição do próximo chanceler estadual ainda será realizada pelos deputados. A AfD tenta levar ao cargo Ulrich Siegmund, que liderou o partido na vitória eleitoral de setembro. Rausch afirmou nesta terça que sua própria eleição era uma etapa dentro do novo cenário político aberto pelo resultado das urnas.

















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