Uma cadeira vazia provocou o acontecimento mais relevante da vida pública brasileira nos últimos anos. A normalização de uma série de desvios pareceu, pelo menos por um momento, ter seu status quebrado. Não se sabe ainda se foi um despertar ou apenas um acidente de percurso.

A decisão que proibiu a TV Globo de mostrar o lugar vazio de Lula no debate entre os presidenciáveis é inédita. Em oposição ao que previam as regras do debate — assinadas por todos os participantes com a emissora —, a autoridade eleitoral decidiu que o púlpito sem o candidato do PT não poderia ser exibido durante a transmissão. E também não poderiam ser dirigidas perguntas pelos concorrentes a Lula — o que era igualmente previsto pelas regras assinadas, em caso de ausência de algum dos participantes.

A decisão da autoridade eleitoral seguiu outros princípios — no terreno da exposição abusiva do candidato ausente e da exploração da sua impossibilidade de defesa. Talvez fossem questões a se considerar no processo de elaboração das regras. Mas esse processo já estava concluído e assinado. Por considerar que a decisão da autoridade eleitoral feriu seus direitos, a TV Globo decidiu cancelar o debate presidencial.

A reação da chamada grande imprensa se deu em uníssono nessa mesma direção. E o resultado das urnas de primeiro turno também parece ter a ver com isso — quando se trata de reação a abusos institucionais. Seguem alguns dos termos utilizados pelos veículos da mídia tradicional para repudiar a decisão que atingiu a Globo: