
O marqueteiro de campanha do candidato ao governo do Rio de Janeiro Douglas Ruas (PL), Paulo Vasconcelos, avaliou que a decisão da ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Estela Aranha de proibir o púlpito vazio destinado ao presidente Lula (PT) no debate presidencial da Globo afetou os resultados, beneficiando o candidato Flávio Bolsonaro (PL).
Aranha chegou à Corte por nomeação de Lula, após atuar em seu governo. Posteriormente, sua decisão foi citada pela emissora como justificativa para cancelar o debate, alegando insegurança jurídica. Vasconcelos destaca a repercussão da decisão diante de um cenário de incômodo com o Judiciário.
“A caneta da juíza dá aquele voto de censura, mudando completamente o que se via em todos os debates históricos, que é, quando o candidato falta, fica lá o púlpito. Para piorar, a Globo cancela o debate. Todo mundo ficou sabendo disso porque o debate da Globo, que não tem a audiência que já teve no passado, é muito simbólico”, opinou o publicitário.
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Publicitário compara decisão a caso Zambelli
Para Vasconcelos, o episódio teve efeitos semelhantes ao da perseguição armada da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL) a um eleitor na véspera do segundo turno. Por isso, recebeu uma condenação criminal no Brasil e enfrenta um processo de extradição na Itália.
“Acho que a canetada de agora foi a Zambelli de 2022. O Bolsonaro creditou à Zambelli, naquela época, o desgaste dele. Só estou juntando as pontas, porque acredito que o cancelamento de debate mexeu num voto que estava acomodado”, argumentou.
O publicitário citou exemplos dos cenários que acredita que foram especialmente afetados. Como decisões já no primeiro turno, menciona Cleitinho (MG) e Sergio Moro (PR), eleitos para chefiar o Executivo de seus estados. Também citou Douglas Ruas, que liderou a votação no Rio de Janeiro. Pelo resultado atualmente considerado, ele disputará o segundo turno contra Eduardo Paes (PSD), embora a situação ainda dependa de uma decisão judicial sobre os votos atribuídos a Anthony Garotinho.
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STF “chupou” caso Master, avalia Vasconcelos
Outra avaliação é de que o Supremo Tribunal Federal (STF) “chupou” o caso Master com as revelações das relações entre os ministros e o banqueiro Daniel Vorcaro, enquanto o envolvimento de outros políticos acabou minimizado.
“O assunto Vorcaro se juntou ao STF, e, potencialmente, ficou uma coisa muito maior lá. O que aconteceu debaixo disso foram questões pontuais, umas muito relevantes, outras menos”, ressaltou.
Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos. Lula, em contrapartida, chegou a 45,16%. Desde a redemocratização, todos os candidatos que terminaram em primeiro lugar no primeiro turno acabaram eleitos no segundo. Ainda assim, Vasconcelos acredita que o cenário não é irreversível ao petista, mas fala na necessidade de autocrítica.
O publicitário vê no impulsionamento de conteúdos nas redes sociais o mecanismo mais eficiente. Segundo ele, o alcance orgânico atinge apenas os que já se decidiram. Com o tráfego pago, haveria a oportunidade de alcançar públicos específicos, como mães de crianças autistas.
“As redes sociais afastaram a política. Especialmente em época de eleição, é mentira de um lado, mentira do outro. Elas deixaram de ser um canal de comunicação confortável, compreensível para o eleitor”, completa.

















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