Mensagens de celular obtidas de Daniel Vorcaro expõem uma intensa movimentação do ex-banqueiro para evitar sanções do Banco Central contra o Banco Master. Em 2025, ele utilizou uma rede de contatos influentes, incluindo o advogado Walfrido Warde e o ex-ministro Guido Mantega, para tentar agendar reuniões presenciais com o presidente Lula e buscar intervenções diretas junto ao ministro Alexandre de Moraes.

Como foi a tentativa de envolver Guido Mantega para chegar ao presidente?

Em julho de 2025, o advogado Walfrido Warde sugeriu que Daniel Vorcaro enviasse um avião particular a Londres para buscar o ex-ministro Guido Mantega. A ideia era trazê-lo rapidamente ao Brasil para facilitar um encontro com o presidente Lula. O Planalto confirmou que Mantega já havia intermediado uma reunião anterior, em dezembro de 2024, mas afirma que aquele foi o único contato oficial. As mensagens indicam que Vorcaro via Mantega como uma ponte essencial para explicar ao governo que os danos causados por auditorias do Banco Central seriam irreversíveis para a instituição financeira.

Qual seria o papel do ministro Alexandre de Moraes nesse contexto?

As revelações mostram que Vorcaro buscou contato direto com o ministro Alexandre de Moraes para pedir o bloqueio do que chamava de ‘maldades’ e ‘sacanagens’ por parte do Banco Central. Em mensagens enviadas no final de 2025, o banqueiro questionava se o ministro havia conseguido conter as ações do órgão. O diálogo era tão próximo que o empresário chegou a oferecer uma mudança em sua agenda de viagem internacional apenas para se encontrar com Moraes. Ele pedia que o ministro reforçasse com autoridades da Polícia Federal para que ninguém de cargos inferiores prejudicasse o banco Master.

Por que o Banco Central se tornou o principal alvo das reclamações de Vorcaro?

O Banco Central, sob o comando de Gabriel Galípolo, vinha apontando erros contábeis na documentação do Banco Master e se posicionando contra operações de venda da instituição. Daniel Vorcaro demonstrava irritação específica com o diretor Renato Gomes, que barrou a venda do Master ao Banco de Brasília. Nas conversas, os aliados do banqueiro acusavam técnicos do órgão de contrariar a cúpula dos três poderes e prometiam retaliações jurídicas. O objetivo da pressão política era interromper auditorias diárias que, segundo o banqueiro, ocorriam sem que um processo administrativo formal fosse aberto.