Além de impulsionar processos de impeachment contra integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF), a nova composição do Senado terá condições de superar um obstáculo criado por Gilmar Mendes para destituir ministros da Corte. Em dezembro do ano passado, em decisão monocrática, o ministro proibiu o afastamento preventivo durante a tramitação e elevou o quórum necessário para o avanço do processo.

Com o crescimento da bancada de direita na última eleição, o PL — que se firmou como o maior partido do Senado — calcula que terá 49 votos na nova legislatura, cinco a menos que os 54 necessários para aprovar o impeachment. A meta da legenda é eleger Rogério Marinho (RN) para a presidência da Casa em 2027, garantindo a abertura de processo contra o ministro Alexandre de Moraes.

A nova maioria também permitiria aprovar uma lei para derrubar as exigências fixadas por Gilmar Mendes. Outra alternativa é o Senado aplicar diretamente a Lei do Impeachment e ignorar a liminar, por se tratar de decisão individual ainda não referendada pelo plenário do STF.

A ação que serviu de base para a decisão exige que liminares para suspender leis sejam aprovadas pela maioria absoluta do STF (ao menos 6 dos 11 ministros). A concessão monocrática só é admitida em casos de “extrema urgência ou perigo de lesão grave” e deve ser submetida ao plenário. Embora liberado para julgamento desde dezembro, o processo ainda não foi pautado pelo presidente da Corte, Edson Fachin.