Os movimentos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) após o fim do primeiro turno das eleições, que sinalizam uma possível moderação, denotam também um enfraquecimento e, mais do que isso, uma provável manobra para ajudar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno. Essa é a opinião de analistas ouvidos pela reportagem.

Horas depois de Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno na liderança da corrida presidencial, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, no STF, e Paulo Gonet, na Procuradoria-Geral da República, passaram a emitir decisões que indicam um afastamento da estratégia anterior, alinhada essencialmente aos interesses de Lula

Para analistas ouvidos pela Gazeta do Povo, trata-se de uma estratégia de sobrevivência institucional diante do avanço da direita e de um Congresso mais disposto a confrontar o Supremo. Os gestos podem representar também uma tentativa de reduzir a rejeição à Corte e, ao mesmo tempo, criar uma ponte com o grupo político que poderá chegar ao Palácio do Planalto.

A aparente moderação, no entanto, não representa um rompimento com o governo Lula, mas prepararia a Corte para diferentes desfechos eleitorais.