Especialistas defendem a apuração imediata de uma denúncia envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que teria entregado R$ 30 milhões em dinheiro vivo para financiar um filme sobre o presidente Lula. O caso gera alerta pela gravidade das supostas irregularidades, que incluiriam pagamentos sem registro formal e tentativas de obter vantagens indevidas em estruturas do governo federal.

Qual é a principal diferença entre esta denúncia e o caso do filme sobre Bolsonaro?

Juristas apontam que a natureza das acusações é distinta. No caso do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, os recursos teriam entrado como um patrocínio normal e declarado. Já na denúncia sobre o documentário de Lula, o próprio autor do relato, Daniel Vorcaro, afirma que o repasse foi feito ‘por fora’, ou seja, em dinheiro vivo e sem qualquer registro oficial. Essa prática, se confirmada, configura um crime muito mais grave, pois envolve uma rota ilegal de pagamento associada à expectativa de receber benefícios dentro de órgãos públicos federais e fundos de pensão.

Como teria ocorrido a aproximação entre o ex-banqueiro e membros do governo?

Segundo relatos atribuídos a Vorcaro, a aproximação com o Partido dos Trabalhadores teria sido intermediada por executivos do Banco Master e por políticos influentes, como o senador Jaques Wagner. O ex-banqueiro alega ter negociado diretamente com João Vaccari Neto, antigo tesoureiro do PT. O objetivo das conversas seria garantir ao banco o acesso a vultosos investimentos de fundos de pensão de servidores públicos, como a Previ e a Petros. Em troca dessa entrada facilitada nos negócios do governo, teriam sido exigidos valores milionários em espécie para gastos diversos.

O que as instituições de investigação dizem sobre a gravação divulgada?

A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República informaram que o áudio mencionado não faz parte dos processos formais de investigação. Existe a suspeita de que o registro tenha sido produzido após o governo ter rejeitado propostas anteriores de delação premiada feitas por Vorcaro. A PGR esclareceu que as negociações passadas nunca citaram o documentário do presidente e que os depoimentos foram recusados por apresentarem inconsistências e falta de provas. Para os investigadores, as mensagens analisadas até agora mostram proximidade com o entorno do poder, mas não confirmam o crime.