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EUA: Ordem de transmitir execução por fuzilamento pega Exército de surpresa

O anúncio do secretário de Defesa, Pete Hegseth, de que a execução do atirador condenado pelo massacre em Fort Hood seria exibida publicamente pegou de surpresa integrantes do Pentágono e do Exército, disseram à CNN três fontes familiarizadas com o assunto.

Hegseth fez o anúncio em uma entrevista ao podcaster de direita Jack Posobiec, a bordo do porta-aviões USS Abraham Lincoln, na quarta-feira. Ele havia visitado a embarcação para fazer um discurso à tripulação, dando as boas-vindas aos militares que retornavam de uma missão no Oriente Médio.

“Vamos garantir que as pessoas possam assistir, que seja público, porque elas precisam entender que há consequências graves para esse tipo de coisa”, disse Hegseth durante a entrevista.

Foi a primeira vez que muitos integrantes do Exército e do Pentágono ouviram falar da possibilidade de tornar pública a execução por fuzilamento de Nidal Hasan, no Texas. Imediatamente, surgiram dúvidas sobre o que significaria torná-la “pública”. O Exército tem regulamentos sobre quem pode assistir a uma execução militar, incluindo familiares do condenado e das vítimas, representantes da imprensa e um capelão militar.

No entanto, Hegseth, o secretário interino do Exército, Adam Telle, e o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, junto com sua equipe, decidiram que “público” significaria transmitir a execução ao vivo pela internet, segundo uma das fontes familiarizadas com o assunto. Em seguida, o Pentágono confirmou a decisão à imprensa, afirmando em um comunicado: “O secretário está correto. A execução será transmitida ao vivo. Mais detalhes serão divulgados.”

O Exército encaminhou as perguntas ao Pentágono, e um porta-voz da pasta afirmou que não tinha nada a acrescentar além da confirmação feita na quinta-feira de que a execução seria transmitida ao vivo.

A ideia chocou muitos militares da ativa e veteranos e provocou uma reação contrária de democratas e republicanos. O vice-presidente JD Vance demonstrou dúvidas sobre a possibilidade de a transmissão ao vivo realmente acontecer. Ele disse não saber “se isso de fato vai acontecer”, mas afirmou que, caso ocorra, “não vou assistir”.

“Quando realizamos execuções públicas, acabamos com tudo o que os Estados Unidos representam”, disse à CNN um oficial do Exército que participou de várias missões no Oriente Médio. “O dano geracional causado por permitir que militares uniformizados fiquem diante de um homem em uma cadeira de rodas e assistam enquanto ele é morto a tiros é irreparável.”

O presidente Donald Trump apoiou a ideia de uma execução por fuzilamento.

“Estamos aplicando a pena de morte a um homem que matou 14 soldados há alguns anos. Pena de morte por fuzilamento — e ele merece”, disse o presidente, sob aplausos, durante um evento na Casa Branca em homenagem a Cristóvão Colombo.

Trump afirmou à WSTM, afiliada da CNN, na sexta-feira que não participou da decisão de transmitir a execução ao vivo, acrescentando: “Mas entendo a decisão”.

Questionado por jornalistas na Casa Branca, mais cedo na sexta-feira, sobre a transmissão, o presidente disse que seu governo tomaria uma decisão a respeito, reiterando que Hasan será morto “por fuzilamento”. Ele não respondeu quando um repórter perguntou se assistiria à transmissão ao vivo.

O presidente da Comissão Federal de Comunicações (FCC, na sigla em inglês), Brendan Carr, disse ao programa Squawk on the Street, da CNBC, que, segundo seu entendimento, a execução não seria exibida na televisão aberta. Ele acrescentou, porém, que deixaria a decisão a cargo de Hegseth e de “suas decisões sobre como proceder”.

Muitos detalhes sobre a transmissão ainda não foram definidos, e várias fontes disseram à CNN que autoridades estão trabalhando para encontrar respostas desde o anúncio. Uma segunda fonte familiarizada com o assunto afirmou à CNN que está sendo tomado muito cuidado na escolha dos soldados que atirarão contra Hasan, levando em consideração os possíveis impactos psicológicos de participar da execução. Segundo a fonte, uma unidade específica foi selecionada para realizar o procedimento.

A transmissão ao vivo da execução apresenta outros desafios, afirmou a fonte, incluindo eventuais medidas para ocultar do público a identidade dos soldados envolvidos. Também não está claro se a execução será transmitida em outras plataformas além do próprio site do Pentágono, nem onde isso poderia ocorrer. Emissoras de televisão e plataformas de redes sociais têm restrições rigorosas a conteúdos violentos e perturbadores.

A primeira fonte familiarizada com o assunto afirmou que ainda há dúvidas sobre se os soldados poderão se recusar a participar, uma vez que as Forças Armadas estão tratando a medida como uma ordem legal e pretendem executá-la.

A segunda fonte fez a mesma observação, acrescentando que, embora muitos soldados possam já ter “tirado uma vida em combate”, esta é uma situação muito diferente.

“Esta é uma situação em que o homem fez algo muito grave e feriu muitas pessoas, anos atrás”, disse a segunda fonte. “Ele ficará imóvel e será colocado como um alvo.”

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