A eficiência do sistema produtivo, o conjunto de bens e serviços que dele resultam e a forma como se dá a repartição desses bens e serviços são consequências das teorias econômicas adotadas pelas instituições que comandam o país, bem como das leis e medidas que regulam todas as etapas do processo de produção, distribuição, investimento e consumo. A economia atual é consequência do que governo e sociedade fizeram no passado, em relação aos elementos citados no âmbito interno da economia nacional e das relações com o resto do mundo. A economia é uma ciência em que a realidade de qualquer momento é fruto de sua própria história, e dos fatos e fenômenos naturais ou criados no passado. E, nessa linha, a economia brasileira de hoje tem conexão com alguns momentos importantes do passado recente.

Doze anos atrás, em outubro de 2014, Dilma Rousseff havia conquistado a reeleição após quatro anos de pura irresponsabilidade. A “nova matriz econômica” gestada por Lula e seu ministro da Fazenda, Guido Mantega (que Dilma mantivera no seu primeiro mandato), seguia ditando a condução da política econômica, resumida no bordão “gasto é vida”. Mas a realidade começava a se impor e a crise batia à porta: a inflação oficial fecharia aquele ano em 6,14%, e o PIB rumava para a estagnação. Em uma tentativa de exibir algum cuidado com as contas públicas, Dilma resolvera trocar Mantega por Joaquim Levy, egresso da Universidade de Chicago, o polo intelectual do liberalismo econômico; no entanto, qualquer chance de austeridade trazida por Levy seria contrabalançada pelo novo ministro do Planejamento, Nelson Barbosa – outra das mentes por trás da “nova matriz econômica” –, e pela manutenção de Alexandre Tombini como presidente do Banco Central, que manteve os juros artificialmente baixos para ajudar o esforço pela reeleição de Dilma.

O Brasil começaria 2015 sendo avisado de que o governo adotaria um plano de ajuste composto de seis pontos principais. O primeiro ponto era o compromisso com a transparência das informações e fim da manipulação na contabilidade pública (as populares “pedaladas”), que nada mais era do que falseamento dos números oficiais dos anos anteriores. O segundo ponto era um controle de gastos como meio de reduzir o déficit público, que respondia pela elevação da dívida pública a 61,7% do PIB. Levy anunciou que pretendia superávit primário de 1,2% do PIB em 2015 e 2% nos anos seguintes, sobretudo porque o setor público havia chegado, em dado momento, a arrecadar 36,5% do PIB e a gastar 40% desse mesmo PIB, uma anomalia perigosa que devia ser contida imediatamente.

O Brasil de Lula 3 é marcado por descaso com as contas públicas, dívida pública em ascensão incontrolável, déficits públicos recorrentes e inflação alta, como em 2014