Jaguaruna, em Santa Catarina, oficializou o título de Capital Nacional da Maior Onda do Brasil após a sanção da Lei nº 15.461. O reconhecimento baseia-se no recorde do surfista Lucas Chumbo, que desceu uma montanha de água de 14,82 metros na Laje da Jagua em julho de 2025. O município agora investe em infraestrutura e eventos mundiais para se consolidar como um destino global do surfe de ondas grandes.

O que explica a formação de ondas tão gigantes na Laje da Jagua?

A Laje da Jagua é uma elevação rochosa situada a cinco quilômetros da costa, onde a profundidade do mar sobe bruscamente de 40 metros para apenas dois metros. Esse degrau repentino faz com que a energia vinda do oceano desacelere e se transforme em altura, um processo técnico chamado de empolamento. Diferente de Portugal, onde um cânion submarino guia a água, em Jaguaruna é o relevo alto no fundo plano que cria as condições ideais para o fenômeno. Ondulações que viajam desde a região da Antártica encontram esse obstáculo e geram os paredões que atraem surfistas do mundo inteiro.

Como foi feita a medição que garantiu o recorde brasileiro ao surfista Lucas Chumbo?

O recorde de 14,82 metros foi estabelecido após uma expedição organizada pela Big Wave Brasil em parceria com a Mormaii. Como o local ainda não possui boias ou equipamentos fixos para medir as ondas permanentemente, o processo dependeu de uma análise técnica rigorosa feita por um oceanógrafo especializado. Ele utilizou imagens e vídeos da sessão de surfe para calcular a altura exata da parede de água. Essa marca superou o registro anterior de 13,7 metros e serviu como base para a criação da lei federal que elevou Jaguaruna ao status de capital nacional deste esporte radical.

Quais são os planos da prefeitura para transformar a cidade em destino turístico?

A prefeitura de Jaguaruna planeja aproveitar a visibilidade do surfe para movimentar a economia local fora da temporada de verão. Entre as iniciativas estão a criação de expedições náuticas até a laje, experiências de imersão em 3D para quem prefere ficar em terra firme e a construção de um monumento em tamanho real de uma onda gigante. O desafio é estruturar a rede de hotelaria e gastronomia, já que muitos imóveis ficam vazios no inverno. A cidade também integra a Rota do Big Surf, que une municípios vizinhos em um projeto de turismo esportivo apoiado por lei estadual.