Desde a publicação de A Riqueza das Nações por Adam Smith, em 1776, a humanidade vem confirmando que um dos principais fatores de crescimento econômico, enriquecimento material e desenvolvimento social é a qualidade das instituições, bem como resta provado que a degradação das instituições e o declínio de seu funcionamento levam à queda da confiança nelas depositada pela população e a crises políticas e empobrecimento econômico. Esse é o retrato do Brasil de hoje.

No Brasil, o Poder Judiciário e todo o sistema legal têm o Supremo Tribunal Federal (STF) como corte mais elevada. Ela deveria ser fundamental para a segurança jurídica, a estabilidade das leis e a confiança da sociedade necessária ao estímulo à livre iniciativa, aos investimentos privados, à proteção do direito de propriedade e dos contratos juridicamente válidos. No entanto, o STF vive o pior momento de sua história, com flagrantes agressões à Constituição, distorções funcionais e, mais recentemente, os escandalosos casos de envolvimento com o banqueiro Daniel Vorcaro. O resultado é o acentuado descrédito da corte perante a população, como mostram pesquisas recentemente divulgadas.

A falta de confiança da população nas instituições é um elemento-chave na manutenção da pobreza e do atraso mesmo em países ricos em recursos naturais

O Poder Judiciário, no entanto, é apenas o mais recente a cair na espiral de descrédito, juntando-se a um Legislativo tradicionalmente envolvido em escândalos e a um Executivo atualmente comandado por um presidente e um partido que protagonizaram alguns dos maiores esquemas de corrupção da história recente: o mensalão e o petrolão. É neste último escândalo que a desconfiança nos diversos poderes se encontra, porque foi apenas graças ao Supremo que Lula conseguiu escapar das penas impostas na primeira instância e confirmadas na segunda instância e no Superior Tribunal de Justiça, tornando-se novamente um ficha limpa e podendo disputar o Planalto em 2022.