Há imagens que pertencem à religião e há imagens que, de algum modo, pertencem à alma de um povo. Nossa Senhora Aparecida é assim. Sua pequena imagem, encontrada nas águas do rio Paraíba do Sul, em 1717, atravessou os séculos e entrou profundamente na história, na cultura e no coração do brasileiro.

Talvez seja justamente por ser pequena que ela tenha se tornado tão grande. Uma imagem simples, quebrada, escurecida pelo tempo e pelas águas, tornou-se sinal de esperança para milhões de pessoas. Em Aparecida, o brasileiro reconhece algo de sua própria história: um povo que tantas vezes precisou recomeçar, que conheceu a pobreza, as perdas, as dificuldades e as incertezas, mas que nunca deixou de esperar.

Nossa Senhora Aparecida está presente muito além dos altares. Está na sala das casas, pendurada no retrovisor dos carros, nas pequenas capelas à beira das estradas, nas procissões, nas romarias e nas festas populares. Está na medalha carregada junto ao peito, na oração feita antes de uma cirurgia, no pedido de uma mãe por seus filhos, na promessa feita depois de uma graça alcançada.

O brasileiro aprendeu a chamar Maria de Mãe. Não é apenas uma devoção aprendida nos livros. É uma relação afetiva, quase familiar. Diante dela, o povo coloca aquilo que muitas vezes não consegue dizer a ninguém: seus medos, suas dores, seus sonhos e sua esperança. Maria se torna presença nas horas em que a vida parece pesada demais.