A perspectiva de que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) possam finalmente enfrentar processos de impeachment no Senado provocou, nos últimos dias, uma nova escalada na politização da Corte, marcada por articulações com integrantes do Congresso recém-eleito para preservar sua influência política e evitar o afastamento de seus membros.

Depois de anos de decisões que ampliaram a interferência do Judiciário na política brasileira, integrantes do tribunal agora se movimentam para estabelecer uma espécie de balcão de negócios com parlamentares que terão poder para decidir sobre sua permanência nos cargos. As articulações envolvem conversas reservadas e decisões judiciais que parecem gestos para conquistar setores da direita, numa tentativa de reduzir a pressão sobre a Corte.

Várias sinalizações dos ministros vieram depois do primeiro turno das eleições, no domingo (4), quando candidatos que fizeram do enfrentamento ao STF uma de suas principais bandeiras conquistaram dezenas de cadeiras no Senado. A nova composição da Casa ameaça romper a proteção política que permitiu aos ministros atravessar sucessivos abusos de poder sem que os pedidos de impeachment contra eles avançassem.

Por intermédio do presidente do STF, Edson Fachin, a ala do golpismo togado passou a buscar interlocutores entre os adversários políticos que construiu ao longo dos últimos anos.