O empresário Luciano Hang lidera a expansão da Havan para alcançar a marca de 200 lojas em todo o Brasil até o fim de 2026. Fundada em Brusque, a rede projeta um faturamento de R$ 22 bilhões para este ano. O crescimento ocorre em meio a um cenário desafiador, no qual a empresa deve pagar R$ 6 bilhões em impostos, um montante que supera o próprio lucro líquido estimado para o período.

Como foi a trajetória de Luciano Hang até a criação da Havan?

Filho de operários, Luciano Hang demonstrou espírito empreendedor desde cedo ao vender bolachas no recreio da escola. Após trabalhar em fábricas de tecidos e toalhas, ele fundou a Havan em 1986, em uma pequena sala de 45 metros quadrados em Brusque, Santa Catarina. Inicialmente focada em tecidos importados, a loja cresceu e, em 1995, inaugurou sua primeira filial em Curitiba, adotando a icônica fachada inspirada na Casa Branca. Atualmente, a rede possui 196 unidades e emprega cerca de 22 mil colaboradores, mantendo o que Hang chama de essência e DNA catarinense em sua cultura.

Quais são os principais impactos dos impostos no faturamento da empresa?

A carga tributária é apontada como o maior custo da operação, superando gastos com fornecedores e o próprio lucro. Em 2026, a previsão é que a Havan recolha R$ 6 bilhões em tributos, representando cerca de 30% do faturamento total. O empresário critica a assimetria tributária, especialmente em relação à isenção de impostos para compras internacionais de até US$ 50, o que criaria uma disputa desigual. Para se ter uma ideia do peso econômico, o IVA brasileiro é estimado entre 26,5% e 28%, um dos mais altos do mundo, ficando bem acima da média de países desenvolvidos da OCDE.

De que forma a burocracia estatal interfere na abertura de novas lojas?

A burocracia é descrita como um obstáculo crônico que retarda o crescimento econômico. Hang relata casos em que unidades levaram até 22 anos para obter todos os alvarás necessários. Projetos em cidades como Matinhos e Joinville enfrentam impasses com órgãos ambientais e promotores públicos. Um exemplo marcante da dificuldade de licenciamento é a cidade de São Paulo, que, apesar de ser o maior mercado consumidor do país, ainda não possui nenhuma loja da rede. Para o empresário, o problema central não é o investimento financeiro, mas a lentidão dos processos públicos.