A aprovação da PEC que veta a escala 6×1 no Senado, por 75 votos a 1, é o retrato acabado do populismo eleitoral brasileiro. A proposta reduz a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, garante dois dias de descanso remunerado e proíbe qualquer corte de salário. Soa generosa. Na prática, ignora o que entidades do setor produtivo vêm alertando há meses: o custo será alto, e quem paga é o conjunto da economia.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a mudança pode elevar os custos de produção em R$ 267,2 bilhões e pressionar os preços ao consumidor em 6,2%, em média. Roupas, calçados e itens de supermercado ficariam mais caros; o PIB poderia recuar cerca de 0,7%.

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A Confederação Nacional do Comércio (CNC), federações estaduais da indústria e associações do varejo e de bares e restaurantes repetem o mesmo diagnóstico: sem ganho proporcional de produtividade, o efeito é compressão de margens, alta da informalidade, risco maior para micro e pequenas empresas e, no limite, menos emprego formal. O Congresso optou por não ouvir. Preferiu a narrativa do “tempo para viver”. Alcolumbre se gabou de ter conseguido aprovar a medida eleitoreira que ajuda Lula.