
Vieram à tona mais mensagens de Daniel Vorcaro. Desta vez, envolvendo um executivo da Globo. E, como se viu nas muitas outras mensagens que deram ao brasileiro acesso à alma do trambiqueiro, ou melhor, à alma da porção podre da elite financeira e política do país, as conversas giravam em torno de bajulação e sexo. Todo mundo queria tirar uma lasquinha do Vorcaro. Mas o sujeito está preso há sete meses e não consta que nenhuma de suas muitas amantes ou, entre infinitas aspas, amigos tenha ido visitá-lo na prisão. Isso é o que eu chamo de uma solidão absoluta. E didática.
Será que alguém chora a ausência de Vorcaro? Estava aqui pensando. Há alguns meses, por exemplo, surgiu a notícia de que o banqueiro teve um acesso de raiva na prisão. Ele teria esmurrado a parede e tudo. Será que alguém se preocupou e se preocupa com a saúde mental do meliante? Alguém teme que ele dê cabo da própria vida? Não pela repercussão que algo assim possa ter nas investigações, digo; e sim pela vida, que é digna em si. E aqui outra pergunta que não vejo sendo feita por aí, entretidos que estamos todos pelos escândalos e orgias: ao longo de todos esses anos em que o dinheiro rolou solto, alguém amou o senhor Daniel Bueno Vorcaro?
Espelho
Alguém o ama ainda hoje? A namorada de então, Martha Graeff, deu um pé na bunda do banqueiro assim que Vorcaro foi preso. Ciro Nogueira e Hugo Motta, apesar da aparente “felicidade” com que compartilhavam dos luxos que o dinheiro sujo do banqueiro proporcionava, estão longe de serem amigos. Beeem longe. Alexandre de Moraes nem se fala. Se bem que esse não é amigo nem da própria sombra. Paulo Gonet, Nunes Marques. Até o Luciano Huck! É gigantesca a lista dos homens e mulheres que, na hora do bem-bom, estavam ali (ou lá em Londres ou nos Alpes) fazendo juras de amor eterno a Vorcaro. Mas que agora…
Não tenho exatamente pena de Daniel Vorcaro. Mas acho que pensar na solidão dele pode ser útil para pensarmos em nossa própria solidão. Na solidão que invariavelmente gravita os ricos e poderosos. E os nem-tão-ricos e nem-tão-poderosos assim, mas que circunstancialmente têm algum poder de decisão ou algum dinheirinho para esbanjar – e esbanjam com amigos e mulheres de ocasião. Esse, me parece, é o maior castigo de alguém que faz o que Vorcaro fez. Um castigo a ser vivido em liberdade ou atrás das grades: o de estar absolutamente sozinho. Até mesmo quando se olha no espelho.

















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