
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) reafirmou nesta quinta-feira (15) sua posição contrária a qualquer proposta que vise reduzir a maioridade penal no país. A manifestação da entidade ocorre diante da possível análise da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública pelo Senado.
Os senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Camilo Santana (PT-CE) apresentaram emendas para incluir a redução da maioridade penal na proposta. Em meio ao impasse sobre o tema, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), adiou a votação da PEC da Segurança Pública.
Em nota, a CNBB alertou que a diminuição do limite etário penal “não enfrenta as causas da violência nem oferece respostas duradouras para a segurança pública”. Segundo a entidade, a ampliação do aprisionamento de jovens tende a gerar o efeito oposto ao desejado, aprofundando o ciclo de criminalidade.
VEJA TAMBÉM:
- Alcolumbre retira PEC da Segurança da pauta do Senado após impasse no governo Lula
“Por isso, apelamos ao Congresso Nacional para que priorize políticas públicas capazes de enfrentar as causas da violência: educação de qualidade, fortalecimento das famílias, proteção da infância e da adolescência, ampliação de oportunidades para os jovens e aperfeiçoamento das medidas socioeducativas”, reforça a confederação.
A CNBB argumenta que aumentar o rigor punitivo não resolve o problema estrutural da violência e destaca que adolescentes que cometem atos infracionais são, em grande medida, também “vítimas da pobreza, da exclusão educacional, da desestruturação familiar, da dependência química e do aliciamento pelo crime organizado”.
“Inseri-los precocemente no sistema prisional tende a ampliar ciclos de violência e exclusão, comprometendo sua ressocialização”, afirma a entidade.
A CNBB defende que a legislação já dispõe de instrumentos adequados para a responsabilização de jovens autores de infrações penais, como o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase).
“O desafio não está na ausência de instrumentos legais, mas na fragilidade de sua implementação e na insuficiência de investimentos em educação, proteção social e oportunidades para a juventude”, diz o comunicado.
Emenda de Rogério Marinho para redução da maioridade penal
O senador Rogério Marinho (Pl-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, propõe reduzir a idade de inimputabilidade penal para os 16 anos para qualquer tipo de crime. A emenda estabelece uma redução adicional para os 14 anos especificamente em casos de crimes hediondos, tortura, tráfico ilícito de entorpecentes, terrorismo e atuação em organização ou associação criminosa.
Marinho sugere implementar um modelo gradual e proporcional entre a idade e a gravidade do crime, buscando fechar a brecha explorada por facções que cooptam menores e atender ao anseio social por maior rigor penal.
Emenda de Camilo Santana para redução da maioridade penal
O senador Camilo Santana (PT-CE), um dos coordenadores da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição, propõe antecipar a imputabilidade penal para os 16 anos exclusivamente para quem cometer crimes hediondos, como homicídio qualificado, latrocínio e estupro.
A emenda mantém os 18 anos como idade de imputabilidade para todos os demais crimes, preservando a aplicação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e do sistema socioeducativo nesses casos.
Santana afirma que a mudança é necessária para punir de forma mais severa crimes de extrema gravidade e desincentivar o recrutamento de adolescentes por facções criminosas, sem eliminar a proteção socioeducativa para infrações comuns.

















Leave a Reply