O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou fortemente, nesta sexta-feira (16), as declarações de setores produtivos da sociedade que foram contra a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acabou com a escala de trabalho 6×1 e reduziu a jornada de 44 para 40 horas semanais.
As críticas foram feitas durante a cerimônia de promulgação da lei aprovada por ampla maioria na última quarta-feira (14), no Congresso Nacional. Ao lado dos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), Lula chamou de “mentiras” as afirmações de que o fim da escala 6×1 pode levar a uma crise na economia.
“Tentar jogar nas costas do povo trabalhador, que está reivindicando um dia de descanso a mais, a responsabilidade por uma crise é mentira. Até porque a lei aprovada é tão clara e tão decente que ela que ‘qualquer problema será discutido e resolvido’, ninguém está se negando a discutir. Ninguém deseja que uma empresa quebre, mas também ninguém quer que o trabalhador morra por falta de descanso”, afirmou em um discurso de improviso.
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No mesmo discurso, Lula estendeu as críticas a outros momentos da história em que o setor produtivo também discordou da aprovação de medidas trabalhistas, como o 13º salário e as férias remuneradas, entre outras.
“Não tem uma conquista do povo trabalhador que não aparece aquele discurso de que vai ser um atraso para o país, que vai quebrar as empresas e a economia. Isso é histórico, é crônico”, disparou.
Lula utilizou a palavra na cerimônia para mandar recados à oposição, afirmando que parlamentares que votaram a favor desta PEC e de outras propostas, como a da reforma tributária, já querem fazer mudanças antes mesmo de entrarem em vigor.
No caso do fim da escala 6×1, a crítica foi diretamente à oposição ao seu governo, em que a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à presidência da República pretende apresentar, se ele for eleito, uma proposta alternativa que remunere os trabalhadores por hora em vez da jornada 5×2.
Lula ainda criticou pessoas que, na sua visão, sempre criticam a Constituição de 1988 mesmo após terem votado a favor dela. A fala foi um recado direto a declarações recentes de Flávio Bolsonaro de que, se for eleito, pode usar a maioria que terá no Congresso para fazer algumas mudanças na Carta Magna como a redução da maioridade penal, reforma do Judiciário, entre outras.
Um pouco antes, Alcolumbre afirmou que precisou “ter muita coragem” para encaminhar a votação do fim da escala 6×1 em pleno período eleitoral, de que “tanta gente preferia deixar para depois”. “Um assunto que divide opiniões, que afeta relações de trabalho e mexe com a vida de milhões de famílias”, completou o senador.
Pouco depois, Motta afirmou que a elaboração da PEC “foi construída com muita responsabilidade” após consultas públicas da Câmara junto à sociedade civil e entidades do setor produtivo.
“Os impactos não foram negligenciados” aos microempreendedores que serão afetados, disse o parlamentar, que serão fortalecidos com as propostas aprovadas nesta semana.

















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