O pacote de benefícios e medidas econômicas anunciado pelo governo do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) às vésperas da eleição presidencial já soma R$ 298,4 bilhões segundo cálculos da Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão vinculado ao Senado Federal. O volume de iniciativas amplia a preocupação com as contas públicas e reforça a necessidade de medidas para conter o crescimento da dívida.

Os valores incluem operações de naturezas diferentes e não representam integralmente gastos diretos do Tesouro Nacional. Do total, R$ 93,8 bilhões correspondem a medidas com impacto primário, enquanto R$ 185,7 bilhões envolvem recursos destinados a programas de crédito com juros subsidiados, cujos financiamentos devem ser devolvidos à União.

Segundo o economista Alexandre Seijas, diretor da IFI, a expansão das despesas e dos subsídios exige uma revisão da política fiscal para evitar o agravamento do endividamento público. A dívida pública brasileira já representa 82,9% do PIB.

“A meta de primário em vigor não é suficiente para estabilizar a dívida. Para IFI, o primário que estabiliza a dívida é de 2,1% do PIB. Medidas que elevam a dívida sem passar pelo resultado primário ampliam essa distância”, disse Seijas em entrevista ao jornal O Globo publicada nesta sexta-feira (16).