A Previdência Social é uma bomba. Uma bomba de pavio comprido, mas com potencial de explodir os cofres do Tesouro Nacional. É uma questão de tempo para quebrar o Brasil. Nem mesmo as reformas de 2003 e 2019, esta última mais ampla, aumentando tempo de contribuição e idade mínima para a concessão da aposentadoria, além de mudar o cálculo do valor do benefício, serão suficientes para evitar o desastre. É o que mostram os números.

Hoje a Previdência Social registra déficit anual de R$ 350 bilhões. Ou seja, para garantir o pagamento das aposentadorias e pensão já concedidas, além dos afastamentos temporários do trabalho de contribuinte, o governo tem de aportar no sistema dinheiro equivalente a 2,6% do PIB (Produto Interno Bruto).

Mantidas as receitas e despesas atuais, em termos de valor presente, o déficit chegará a 10% ou 11% do PIB dentro de 50 anos. O déficit atuarial será ainda maior, da ordem de R$ 11 trilhões de reais (mais de 84% do PIB hoje), o que fará dobrar a dívida pública atual, de 82% do PIB.  Isso, apesar de 70% dos aposentados e pensionistas receberem apenas um salário-mínimo mensal (com os que recebem até dois salários-mínimos por mês esse percentual sobe para 82% dos beneficiados).

A última grande reforma previdenciária, de 2019, pode até ter sido a politicamente viável, porém não resolveu os déficits e tampouco equacionou uma forma de estancar a evolução do desastre. A escalada continua, a passos largos, para o colapso que impactará o futuro de milhões de contribuintes, notadamente com o acelerado envelhecimento da população e o decréscimo na taxa de natalidade. A tendência, portanto, é de que nas próximas décadas existam mais brasileiros recebendo aposentadoria e menos cidadãos contribuindo para a Previdência.