
A indústria brasileira já mostrou que tem capacidade para inovar. Inteligência artificial, automação e digitalização fazem parte da realidade de empresas que buscam aumentar a produtividade, reduzir custos, conquistar mercados e manter a competitividade. O desafio, agora, é fazer com que essa transformação alcance um número cada vez maior de empresas.
Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que 61% das empresas industriais inovaram nos últimos três anos. Entre os resultados estão ganhos de produtividade, redução de custos e acesso a novos mercados. Portanto, inovação não pode ser um fim em si mesma. Ela precisa gerar resultados concretos.
O movimento, contudo, ainda acontece de maneira desigual. Quase metade das empresas brasileiras encontra dificuldades para inovar, enquanto 59,2% das indústrias utilizam apenas uma ou duas tecnologias digitais.
O Brasil não precisa apenas de mais tecnologia, mas sobretudo de empresas capazes de acessá-la e transformá-la em competitividade. Quanto mais empresas, independentemente do porte, puderem inovar, maior será nossa capacidade de produzir melhor
O cenário ganha ainda mais relevância porque micro, pequenas e médias empresas representam 81% das indústrias brasileiras. São fundamentais para a economia e para a geração de empregos, mas muitas enfrentam obstáculos para acessar tecnologia, conhecimento especializado e financiamento.
Por isso, precisamos falar em democratização da inovação. Isso significa criar condições para que empresas de todos os portes conheçam soluções e transformem tecnologia em resultados. Nenhuma empresa precisa – ou consegue – inovar sozinha. A indústria precisa estar conectada às universidades, aos centros de pesquisa, às startups, aos fornecedores e aos clientes.
É nessa aproximação que problemas reais encontram conhecimento e tecnologia capazes de gerar respostas. Uma pesquisa pode ganhar aplicação em uma fábrica. Uma startup pode solucionar um desafio industrial. Um fornecedor pode tornar um processo mais eficiente.
Assim, a inovação acontece quando conhecimento encontra necessidade e uma boa ideia chega ao chão de fábrica. A própria CNI aponta a aproximação entre ciência, tecnologia e indústria como caminho para acelerar o desenvolvimento do país.
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Nesse contexto, ambientes de conexão ganham importância. A Mercopar, realizada pela Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (FIERGS) e pelo Sebrae RS, chega à sua 35ª edição como um espaço de encontro entre empresas, fornecedores, startups, instituições de pesquisa e profissionais. Uma feira de negócios, contudo, é apenas o ponto de partida. O que realmente importa são as conexões que permanecem depois dela.
Uma pequena indústria pode encontrar uma tecnologia para melhorar sua produção. Uma empresa pode identificar um novo fornecedor. Uma startup pode conquistar um cliente. Um pesquisador pode encontrar uma indústria disposta a transformar uma descoberta em produto. São esses encontros que fazem a inovação avançar.
O Brasil não precisa apenas de mais tecnologia, mas sobretudo de empresas capazes de acessá-la e transformá-la em competitividade. Quanto mais empresas, independentemente do porte, puderem inovar, maior será nossa capacidade de produzir melhor, competir em mercados exigentes e gerar desenvolvimento.
A indústria do futuro avançará quando conhecimento, tecnologia e inovação chegarem a todos os segmentos do setor produtivo. É assim que construiremos hoje a indústria do futuro.
Claudio Bier é presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul.

















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