A derrota no primeiro turno forçou o candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a rever a postura de distanciamento das redes sociais. Depois de se manter longe do mundo digital durante o terceiro mandato e até se vangloriar por isso, o presidente da República, que diz não ter aparelho celular, começou a gravar vídeos no formato selfie.

Ele também convocou a juventude petista para “virar votos” nas redes e levou para a campanha o deputado federal André Janones (Rede-MG), responsável pela coordenação do grupo de WhatsApp “Exército do Lula”. Segundo o estudo “Estratégia digital no 2º turno”, feito pela empresa Datrix, a campanha petista tem tido mais sucesso na mobilização dos militantes pelos grupos do aplicativo de mensagens do que com o engajamento dos influenciadores de esquerda.

Desde o dia 10 de outubro, o levantamento aponta que a campanha de Lula passou a atacar pelo flanco do WhatsApp com a liderança de Janones, superando movimentos da direita nos meios digitais. “O que mudou foi o paradigma de como se trabalha a comunicação nas redes. A eficiência está menos no volume de conteúdo e mais no número de pessoas que estão interagindo com o presidente”, afirma o diretor-executivo da Datrix, João Paulo Castro.

Ele classifica a estratégia como “invisível” pelo fato de os grupos de mensagens serem fechados e mais difíceis de monitorar do que as redes sociais. “É invisível, mas é eficiente porque organiza a microinfluência de milhões de pessoas para levar conteúdos de forma orquestrada com várias postagens sobre o mesmo tema ao mesmo tempo”, explica.