A vantagem que Flávio Bolsonaro (PL) abriu sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no estado de São Paulo no primeiro turno foi de 3,42 milhões de votos. Essa diferença é maior do que a dianteira do senador no país inteiro. Nacionalmente, Flávio terminou com 56.104.503 votos (47,03%), contra 53.879.538 (45,16%) do presidente, uma diferença de 2,22 milhões.
A campanha de Flávio escolheu a Grande São Paulo como alvo prioritário para o segundo turno. Não é por acaso. Por décadas, a região metropolitana formou o chamado “cinturão vermelho” em torno da capital paulista. São cidades operárias, berço do sindicalismo que deu origem ao PT e onde o partido costumava vencer com folga.
O mapa de votação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que esse cinturão encolheu. Lula ainda venceu na capital, por 291,6 mil votos (46,58% a 42,13%), mas com margem de 4,4 pontos percentuais, menos da metade dos 9,5 pontos com que venceu Jair Bolsonaro no primeiro turno em 2022.
Nas outras 38 cidades da região metropolitana, o petista ficou à frente em apenas 13, segundo dados do TSE compilados pela Gazeta do Povo. No primeiro turno de 2022, havia vencido em 25 delas.
Na região do ABC, a vantagem de Lula caiu de 121 mil votos, no primeiro turno de 2022, para 14 mil. Os aliados de Flávio Bolsonaro centralizam a mobilização nessa região, com prefeitos, vereadores e deputados eleitos, enquanto o PT também concentra atos no ABC e na capital.
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Em Santo André, uma das cidades que dão nome ao ABC, Flávio venceu por 24,8 mil votos — Jair Bolsonaro teve vantagem de 3,3 mil. Em São Bernardo do Campo, onde Lula construiu a carreira sindical, o petista ainda ficou à frente, mas a vantagem caiu de 54,5 mil para 22,8 mil votos em quatro anos.
Em Diadema, que depois da capital paulista deu a Lula a maior vantagem da região, a diferença caiu de 60 mil para 35,8 mil votos. Em Mauá, única prefeitura do ABC comandada pelo PT, a dianteira do presidente caiu de 24,6 mil para 6,2 mil.
O recuo se repete fora do ABC. Osasco, onde Lula havia vencido em 2022, deu vitória a Flávio, e em Guarulhos, segunda cidade mais populosa do estado, o senador abriu nove pontos de vantagem. No Alto Tietê, Flávio venceu em oito das dez cidades, de acordo com dados do TSE.
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Flávio recorre a prefeitos e Lula a sindicatos para disputar votos no “cinturão vermelho”
As duas campanhas escolheram caminhos diferentes para disputar o eleitorado da Grande São Paulo no segundo turno. Flávio se apoiou na estrutura das prefeituras e dos partidos que aderiram à candidatura. Lula recorreu aos sindicatos e aos movimentos sociais, base histórica do PT na região.
A estratégia de Flávio foi desenhada logo depois do primeiro turno. Em 5 de outubro, o senador se reuniu em Brasília com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e com o deputado Nikolas Ferreira (PL). Na mesma semana, discutiu a estratégia com o senador Rogério Marinho (PL-RN) e com o senador eleito Guilherme Derrite (PP).
Em entrevista ao programa Café com a Gazeta do Povo, Derrite descreveu três frentes de trabalho. A primeira é manter a base mobilizada e levar para perto os deputados eleitos com votações recordes. A segunda é atrair os partidos que ficaram neutros no primeiro turno.
A terceira é analisar a votação de cada estado para localizar onde ainda há espaço para crescer, como é o caso da Grande São Paulo. “Ele [Flávio] já venceu em uma parte dessa região metropolitana. Antigamente era considerado ‘cinturão vermelho’, não é mais, graças ao trabalho que estamos fazendo em São Paulo”, disse Derrite.
A região da Grande São Paulo reúne 39 cidades e cerca de 20,7 milhões de habitantes, de acordo com o Censo de 2022 do IBGE. Na campanha estadual, Tarcísio reuniu 37 dos 39 prefeitos da região metropolitana. Só ficaram de fora os prefeitos Marcelo Oliveira (PT), de Mauá, e Welington Formiga (PDT), de Cotia.
No domingo (11), Flávio almoçou com prefeitos da região no centro da capital e se reuniu com vereadores. O encontro foi organizado pelo prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e teve a presença de Tarcísio, de Derrite e do senador eleito André do Prado (PL).
Diante dos vereadores, Flávio evitou o discurso de vitória antecipada. “Não tem nada resolvido”, afirmou. Nunes pediu às lideranças locais que distribuíssem adesivos, organizassem bandeiraços e reativassem os comitês.
No mesmo domingo, Lula participou da “Marcha pela democracia”, organizada por movimentos estudantis e sociais, torcidas organizadas e comunidades de fãs, na Avenida Paulista. Já no último dia 14 o PT reuniu militantes no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, com o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) e o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, ex-presidente da entidade.
A disputa pela região segue nesta semana que antecede a votação, com atos de apoiadores de ambas as campanhas na Avenida Paulista. No domingo (18), Flávio reuniu aooiadores. Para o sábado (24), a União Nacional dos Estudantes (UNE) convocou um novo ato em apoio a Lula, também na Paulista.

















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