A reforma do Orçamento da União proposta pela equipe de Flávio Bolsonaro (PL) poderá funcionar como novo teto de gastos do governo, flexibilizando percentuais mínimos de aplicação de recursos sem descuidar do rigor fiscal. A mudança cobre despesas essenciais e obrigatórias com o controle da dívida.

A proposta resgata a lógica do teto aprovado em 2016 no governo de Michel Temer (MDB), que limitou a expansão de despesas à inflação. Com restrição global, o mecanismo impôs escolhas e ajudou a conter gastos. “Faltou mexer no piso”, dizia Paulo Guedes, então ministro da Economia de Jair Bolsonaro (PL), se referindo ao engessamento das porcentagens de gastos obrigatórios nas áreas de saúde e educação.

Sem mudanças nas despesas obrigatórias, o ajuste comprime investimentos e custeio. Um novo teto teria, então, de reformar a estrutura orçamentária. Daniella Marques, principal auxiliar de Flávio na área econômica, defende revisar despesas com “orçamento base zero” e partilhar a responsabilidade fiscal entre os Poderes.

Adolfo Sachsida, economista, advogado e ex-ministro de Bolsonaro, sustenta que o ajuste deve ocorrer pelo controle dos gastos, sem novos tributos. A sinalização combina limite geral com despesas revistas, sem ainda detalhar percentuais alterados de rubricas do Orçamento para alcançar a economia mirada de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB).