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'Slopaganda': como a IA virou arma eleitoral nos EUA e movimentou mais de US$ 137 milhões


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Jose Luis Magana/AP
Com a aproximação das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro, a inteligência artificial ganha cada vez mais espaço na propaganda eleitoral. Ao mesmo tempo, aumenta a preocupação com o uso da tecnologia para espalhar informações falsas em anúncios políticos.
Pesquisadores chamam essa prática de “slopaganda”, termo que combina propaganda política com conteúdos de baixa qualidade gerados por inteligência artificial.
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A prática é usada tanto por republicanos quanto por democratas, mas candidatos e grupos ligados ao Partido Republicano, do presidente Donald Trump, concentram a maior parte dos investimentos nesse tipo de propaganda eleitoral neste ano.
Em um dos anúncios, Abdul El-Sayed, candidato democrata ao Senado pelo estado de Michigan, aparece segurando cartas de um jogo de tabuleiro com as frases “Morte aos EUA” e “Celebre o 11 de Setembro”, em referência aos atentados às Torres Gêmeas, em Nova York.
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“A destruição de Israel e do Ocidente não é apenas um jogo para eles”, afirma um narrador no vídeo. Em seguida, acrescenta: “É uma missão”.
O anúncio também mostra uma imagem de família gerada por inteligência artificial. Nela, o candidato, que é muçulmano e filho de um egípcio, aparece ao lado de quatro mulheres usando véus que cobrem todo o corpo.
O vídeo foi produzido por uma organização ligada ao senador republicano Ted Cruz, do Texas. Diferentemente da maioria dos anúncios desse tipo, o material informa que foi “criado, total ou parcialmente, com o auxílio de inteligência artificial”.
Poucos anúncios informam o uso de IA
Segundo os pesquisadores, poucos anúncios políticos informam quando utilizam inteligência artificial. A maioria não apresenta esse aviso, o que dificulta a identificação de imagens e vídeos gerados pela tecnologia e a avaliação da veracidade do conteúdo pelos eleitores.
O Wesleyan Media Project, projeto que monitora os gastos com propaganda eleitoral nos Estados Unidos, identificou 220 anúncios políticos produzidos com IA até o momento do levantamento. Os pesquisadores, no entanto, acreditam que o número real seja muito maior.
Dos anúncios identificados, quase 81% foram financiados por candidatos republicanos ou grupos ligados ao partido. Os democratas foram responsáveis por 12%, enquanto os demais tiveram financiamento de candidatos ou organizações independentes.
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Segundo o levantamento, mais de US$ 137 milhões (R$ 753,4 milhões) foram gastos na veiculação desses anúncios. Em 2024, os gastos com esse tipo de propaganda haviam somado apenas US$ 50 mil (R$ 274 mil).
Apesar do aumento dos investimentos, apenas 27% dos anúncios identificados avisam que foram produzidos com inteligência artificial, segundo Erika Franklin Fowler, codiretora do Wesleyan Media Project.
Nos EUA, não há uma regra federal que obrigue as campanhas eleitorais a informar o uso de inteligência artificial nos anúncios. Alguns estados, porém, já criaram regras para limitar o uso da tecnologia nesse tipo de publicidade.
No mês passado, o senador democrata Jon Ossoff, do estado da Geórgia, classificou como “profundamente preocupante” o crescimento do uso de IA na propaganda eleitoral.
“É um caminho perigoso rumo à destruição da verdade no debate político”, afirmou Ossoff ao canal C-Span.
Uso de IA na propaganda eleitoral provoca críticas
Ossoff, que disputa a reeleição em novembro, pediu que um anúncio produzido com IA fosse retirado de circulação. O vídeo não informa o uso da tecnologia e mostra o senador em um salão de beleza, sugerindo que ele estaria “maquiando” seu relatório de prestação de contas.
O anúncio foi financiado pelo Senate Leadership Fund, organização que apoia candidatos do Partido Republicano ao Senado americano.
A rejeição ao uso de IA nas campanhas eleitorais também aparece nas pesquisas de opinião. Segundo um levantamento realizado para a Fundação AAPC, 73% dos entrevistados consideram esse uso “inaceitável”.
Apesar do aumento desse tipo de propaganda, pesquisadores alertam que a quantidade de anúncios produzidos com IA não significa, necessariamente, que eles sejam capazes de influenciar o resultado das eleições.
Segundo um relatório recente do Centro de Política Tecnológica da Universidade de Nova York, a “slopaganda” é “provavelmente mais eficaz na mobilização de eleitores ou na arrecadação de fundos do que na influência na eleição de um candidato”.
O documento também afirma que esses anúncios podem ter dificuldade para atrair a atenção dos eleitores, especialmente diante do excesso de conteúdos produzidos com inteligência artificial, “particularmente à medida que nos tornamos cada vez mais sobrecarregados pela confusão gerada pela IA”.

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