Uma série de ataques cibernéticos contra sistemas de refrigeração de estabelecimentos comerciais atingiu pelo menos cinco países europeus e colocou em risco a conservação de alimentos.
Na madrugada de domingo para segunda-feira (2), supermercados e outros negócios na Bélgica, em Luxemburgo, na Suécia, na Irlanda e na Holanda tiveram equipamentos de refrigeração controlados remotamente por invasores, segundo a Agência EFE. Em algumas lojas suecas, as temperaturas chegaram a 50 graus, enquanto outros estabelecimentos precisaram descartar mercadorias ou retirar produtos das prateleiras por precaução.
O número de locais afetados já inclui cerca de 40 supermercados da rede Delhaize e 15 unidades do Carrefour na Bélgica, 13 lojas SuperValu na Irlanda e 17 estabelecimentos holandeses, segundo a EFE. Também foram registrados problemas em outros comércios, mas ainda não há um balanço consolidado. As perdas financeiras provocadas pelos ataques não foram calculadas até o momento.
O método identificado nos diferentes países apresenta características semelhantes: os invasores acessaram pela internet sistemas de refrigeração conectados à rede e alteraram seu funcionamento. Em alguns casos, elevaram a temperatura dos equipamentos; em outros, acionaram o modo de descongelamento. Ainda não há confirmação de que todos os episódios tenham sido coordenados em uma única operação.
VEJA TAMBÉM:
-

7 pontos sobre o ataque hacker que abalou o sistema financeiro nacional
Bélgica concentra dezenas de estabelecimentos atingidos
Na Bélgica, os primeiros problemas foram percebidos por volta da meia-noite. Segundo a emissora pública RTBF, alguns congeladores chegaram a registrar aproximadamente 15ºC, comprometendo a conservação dos produtos.
Um responsável por supermercados Delhaize em Bruxelas contou à emissora que foi despertado por alertas no celular por volta das 3h. Ao chegar a uma das lojas, encontrou os compressores desligados e os equipamentos liberando ar quente.
A empresa de instalações frigoríficas Sabcobel identificou cerca de 20 sistemas comprometidos entre os equipamentos que administra no país. Técnicos foram mobilizados na madrugada para atender às ocorrências.
A interrupção da refrigeração obrigou alguns comerciantes a descartar mercadorias que perderam as condições adequadas de conservação. Outros transferiram os alimentos para caminhões frigoríficos, numa tentativa de evitar prejuízos maiores.
A Delhaize também confirmou à Agência EFE problemas em lojas de Luxemburgo, mas não informou quantas unidades foram atingidas. A empresa afirmou que avaliava a extensão dos danos.
VEJA TAMBÉM:
-

Coreia do Norte realiza maior roubo de criptomoedas da história
Equipamentos chegaram a 50 graus na Suécia
Na Suécia, duas das principais redes do setor reconheceram problemas. A Ica, maior cadeia de supermercados do país, informou que um número limitado de lojas sofreu ataques, sem divulgar a quantidade ou a localização dos estabelecimentos.
A Coop também relatou ocorrências em várias unidades e afirmou que alguns equipamentos atingiram temperaturas de até 50 graus. O Centro Nacional de Segurança Cibernética sueco abriu uma investigação para apurar os episódios.
Na Irlanda, a empresa Musgrave, proprietária da rede SuperValu, identificou o problema em um modelo específico de equipamento de refrigeração instalado em 13 supermercados. A companhia afirmou que seus sistemas de monitoramento detectaram a alteração e permitiram a adoção imediata de medidas de contenção.
Por precaução, todos os produtos refrigerados e congelados das unidades atingidas foram retirados da venda. A empresa informou que os demais itens continuaram disponíveis e assegurou que os alimentos mantidos nas lojas estavam em condições seguras de conservação. A Musgrave trabalha com os fornecedores dos equipamentos e especialistas em segurança digital para normalizar os sistemas.
VEJA TAMBÉM:
-

Ataque hacker na França eleva temperaturas em freezers de supermercados a 50 graus
Senhas padrão facilitaram invasões na Holanda
Na Holanda, a empresa Danfoss confirmou ataques contra sistemas de 17 negócios, principalmente açougues e pequenos estabelecimentos. Até o momento, não foram relatados problemas nas grandes redes de supermercados do país.
Um dos casos envolveu um depósito de alimentos congelados. A temperatura, que normalmente permanecia em torno de 20 graus negativos, subiu para 10 graus negativos. A empresa informou que conseguiu intervir rapidamente, mas não detalhou se houve descarte de mercadorias ou prejuízo financeiro.
Segundo a Danfoss, os equipamentos atingidos utilizavam senhas padrão e estavam conectados a redes sem proteção adequada. A companhia afirmou que havia alertado clientes holandeses em meados de outubro sobre os riscos e recomendado que os sistemas fossem desconectados da internet ou tivessem o acesso restrito por meio de redes seguras.
Um porta-voz da empresa avaliou que os ataques poderiam ter sido evitados caso as orientações de segurança tivessem sido adotadas.
França já havia registrado ataques semelhantes em outubro
A nova onda de incidentes ocorre cerca de três semanas depois de um episódio de grandes proporções na França. Na noite de 11 para 12 de outubro, sistemas de refrigeração de centenas de supermercados foram atingidos, incluindo unidades das redes Intermarché, Coopérative U, Carrefour, Leclerc e Monoprix.
Na ocasião, a manipulação dos equipamentos levou à perda de alimentos e também provocou princípios de incêndio, segundo a Promotoria de Paris. Alguns refrigeradores chegaram a registrar 50 graus durante um período de seis horas.
O presidente da Intermarché estimou que os prejuízos para o conjunto do setor poderiam alcançar dezenas de milhões de euros em apenas um dia.
Separadamente, a rede holandesa Albert Heijn, a maior do país, enfrentou em outubro outro problema informático, que prejudicou o abastecimento e interrompeu pedidos pela internet. Até agora, porém, não há evidências de que esse episódio esteja relacionado aos ataques contra os sistemas de refrigeração.
A sequência de ocorrências em diferentes países amplia a preocupação com a segurança de equipamentos comerciais conectados à internet. Além de comprometer operações e gerar prejuízos, a manipulação remota desses sistemas pode afetar diretamente a conservação e a segurança dos alimentos. As investigações ainda precisam determinar se os ataques registrados na Europa fazem parte de uma mesma ação ou se foram incidentes independentes.

















Leave a Reply