O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desembarca em São Paulo nesta quarta-feira (20) para encontros reservados com investidores e representantes do setor financeiro com o objetivo de recuperar o apoio que perdeu na Faria Lima. O presidenciável atravessa o momento mais turbulento da pré-campanha após a divulgação do áudio enviado ao banqueiro Daniel Vorcaro, em que ele pede o financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Na avaliação de representantes do mercado financeiro ouvidos pela Gazeta do Povo, em caráter reservado, Flávio era considerado o principal nome da oposição contra a reeleição de Lula (PT), antes do vazamento do áudio e das conversas com o proprietário do Banco Master.
O temor do mercado é que a acusação contra Flávio reforce o movimento político pela reeleição de Lula, que buscará em outubro o quarto mandato presidencial. Apesar da crise, interlocutores do setor afirmam que a saída de Flávio Bolsonaro da corrida não está nos planos.
A percepção se traduz em números. O Ibovespa teve quedas consideráveis nos dias seguintes à divulgação do áudio, atingindo o menor nível desde janeiro nesta terça-feira (19), enquanto o dólar disparou mais de 2% frente ao real, fechando próximo de R$ 5 — movimentos que operadores relacionaram diretamente ao aumento da instabilidade política em torno da principal aposta eleitoral da família Bolsonaro.
As reuniões com Flávio estão marcadas para esta quarta e a agenda prossegue na quinta-feira (21). A Gazeta do Povo apurou que um dos encontros será realizado no BTG Pactual, com a presença dos empresários David Feffer, Fernando Marques e Rubens Ometto. Procurado pela reportagem, o BTG Pactual negou a reunião com o pré-candidato à Presidência da República. Presidente do Conselho de Administração da Cosan, Ometto afirmou desconhecer a existência da agenda.
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Nos bastidores do mercado financeiro, o que mais incomoda não é o conteúdo das conversas vazadas, mas a contradição entre o que Flávio disse a interlocutores da Faria Lima nos últimos meses — que não tinha qualquer relação com Vorcaro, a quem teria visto pessoalmente apenas uma vez.
De acordo com Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, a candidatura do senador foi construída menos por méritos individuais e mais pela escolha do ex-presidente Bolsonaro, que, ao perder os direitos políticos, optou por um nome que carrega o sobrenome da família para preservar sua influência no cenário eleitoral. “O crescimento do Flávio nas pesquisas é, antes de mais nada, um crescimento associado ao capital político que é propriedade do seu pai”, avalia Cortez.
Ele alerta que o áudio a Vorcaro fez com que a rejeição do senador, que vinha em trajetória de queda, passasse a ter uma tendência de alta — atingindo patamar próximo ou superior ao do presidente Lula.
A primeira pesquisa AtlasIntel realizada após a divulgação dos áudios mostrou essa inversão em números: Lula lidera o cenário simulado de primeiro turno com 47% das intenções de voto, contra 34,3% do senador do PL. No cenário estimulado de segundo turno, o petista venceria por 48,9% contra 41,8% das intenções de voto para Flávio.
- Metodologia: A AtlasIntel ouviu 5.032 pessoas por meio de formulário eletrônico entre os dias 13 e 18 de maio de 2026. A pesquisa foi contratada pelo próprio instituto. A margem de erro é de 1 ponto percentual para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. Registro no TSE nº BR-06939/2026.
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Diante do quadro, a pré-campanha de Flávio Bolsonaro adotou duas frentes. A primeira é a de exposição: ampliar viagens, reforçar agendas públicas e aumentar a presença em entrevistas, na tentativa de transmitir estabilidade política após a primeira grande turbulência da pré-campanha.
A segunda é a ofensiva: aliados passaram a defender críticas mais incisivas ao governo Lula, associando o caso Master a grupos políticos ligados ao PT, especialmente na Bahia.
Enquanto isso, o mercado financeiro também passou a avaliar pré-candidaturas alternativas, entre elas do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo-MG) e do goiano Ronaldo Caiado (PSD-GO). Mas interlocutores do setor financeiro afirmam que, com Flávio na corrida presidencial, nenhum outro candidato consegue acumular votos suficientes para chegar ao segundo turno.
Para Alvaro Bandeira, coordenador de economia da Apimec Brasil, o mercado gostaria de uma terceira via que encerrasse a polarização entre o governo Lula e a família Bolsonaro — mas os candidatos alternativos seguem distantes, conforme a pesquisa da AtlasIntel.
“O Zema melhorou um pouco porque saiu batendo no STF e porque ele se posicionou contra o Flávio. O Caiado ficou em cima do muro porque ainda pretende ter votos dos bolsonaristas”, afirmou.
Bandeira também faz uma ressalva sobre o alcance real da Faria Lima na política. Para ele, o mercado de capitais é uma estrutura muito mais ampla do que o corredor financeiro paulistano, e a confusão entre os dois conceitos distorce o debate público sobre o peso real desse segmento nas eleições.
Reportagem atualizada com a resposta da assessoria do BTG Pactual e do presidente do Conselho de Administração da Cosan, Rubens Ometto.
Atualizado em 20/05/2026 às 13:41

















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