
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino deu prazo de 48 horas para a Câmara dos Deputados explicar a viagem do deputado Mario Frias (PL-SP) ao Bahrein e aos Estados Unidos. O ofício desta quarta-feira (20) foi encaminhado ao presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB).
O parlamentar é alvo da investigação que apura o suposto uso de emendas para o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Frias esteve no Bahrein entre os dias 12 e 18 de maio e, agora, está nos Estados Unidos.
“Como deputado, estive agora no Bahrein propondo alguns investimentos no Brasil e agora estou nos Estados Unidos para fazer também uma prospecção de um investimento em segurança pública”, disse o deputado, em entrevista ao SBT News nesta terça (19).
VEJA TAMBÉM:
- Produtora de filme sobre Bolsonaro diz que Vorcaro bancou mais de 90% da produção
“Mas eu volto ao Brasil. Não devo nada. Estou pronto para prestar conta. Estou à disposição da Justiça”, acrescentou.
Dino determinou a intimação do deputado para prestar esclarecimentos em março. O oficial de Justiça tentou cumprir a ordem em diversas ocasiões, mas sem sucesso. Com isso, a notificação foi devolvida ao STF. O ministro abriu uma investigação sobre os repasses para ONGs ligadas à produtora do filme.
Suposto uso de emendas em filme de Bolsonaro
A deputada Tabata Amaral (PSB-SP) acionou o STF para questionar o envio de R$ 2,6 milhões em “emendas Pix” à ONG Academia Nacional de Cultura (ANC) e ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), controladas pela sócia da produtora responsável pelo filme sobre Bolsonaro.
Além de Frias, os deputados Bia Kicis (PL-DF) e Marcos Pollon (PL-MS) também são alvos da apuração. Em março, Kicis negou qualquer repasse para a produção do filme. Segundo ela, trata-se de “informação incorreta, que distorce a finalidade real dos recursos públicos empregados”.
A deputada afirmou que um repasse de R$ 150 mil foi feito para viabilizar “um projeto de natureza cultural e educativa, voltado à valorização da história nacional e ao fortalecimento da economia criativa”. De acordo com a parlamentar, a emenda ainda não foi executada.
Pollon disse ter solicitado o cancelamento da emenda após o pedido de esclarecimentos do STF. Segundo ele, os recursos devem ser redirecionados para um hospital.
No último dia 13, Frias disse que o financiamento do filme Dark Horse foi feito com capital 100% privado e que “não iria se sujar pelos R$ 2 milhões”.
Investimento de Vorcaro no filme de Bolsonaro
Também no dia 13 deste mês, o site The Intercept Brasil divulgou uma troca de mensagens atribuídas ao senador Flávio Bolsonaro (PL) e a Daniel Vorcaro, na qual o senador teria negociado um repasse de R$ 134 milhões do dono do Banco Master para financiar o filme.
Segundo a publicação, cerca de R$ 61 milhões teriam sido pagos por Vorcaro entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações. O senador confirmou o pedido, mas negou qualquer irregularidade.
Inicialmente, o deputado Mario Frias contrariou essa versão, dizendo que a produção não havia recebido “um único centavo” do empresário.
Um dia depois, Frias afirmou que houve uma “diferença de interpretação sobre a origem formal do investimento”, pois o vínculo contratual do projeto teria sido firmado com a empresa Entre Investimentos — e não diretamente com Vorcaro ou o Master —, fazendo uma distinção jurídica sobre a origem dos recursos.
“Na condição de produtor executivo do longa-metragem Dark Horse, esclareço que não há contradição material entre os posicionamentos públicos sobre o financiamento do projeto, mas uma diferença de interpretação sobre a origem formal do investimento”, disse o parlamentar, no comunicado divulgado no último dia 14.

















Leave a Reply