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Análise: Em empate estratégico, Trump e Xi controlam rivalidade

Nas relações internacionais, empate é vitória para os dois lados.

Na visita de Donald Trump a Xi Jinping, ninguém saiu ganhando. Não houve um tensionamento nas relações, nem um acirramento da rivalidade. Isso é positivo para os dois e, principalmente, para o resto do mundo.

Questões importantes e delicadas para os dois lados – como o Oriente Médio e o Estreito de Ormuz para os EUA, e Taiwan para a China – ficaram à margem. Mas houve ganhos pontuais.

Os americanos asseguraram vendas importantes de aviões e retornaram com a promessa chinesa de retomar as importações de soja do país. Essa visita representa um foco econômico claro por parte do republicano, que contou com o apoio do setor privado e capitães da indústria e finanças. Mas, além desse fator, Trump e companhia não conseguiram levar na bagagem muitos dividendos domésticos – pensando nas eleições de meio de mandato, em novembro.

Pequim, por outro lado, garantiu acesso a alguns componentes eletrônicos de informática necessários.

E, do ponto de vista interno para Xi Jinping, tem a ideia ou a imagem de um líder, de um estadista. Xi buscou passar a impressão de alguém que pode conduzir a China para o centenário da revolução em 2049, dentro da visão ampla de rejuvenescimento da sociedade e de restauração do poder chinês no mundo.

A China não entende ser um país emergente, uma economia emergente. Ela entende que passou de um país que enfrentou uma decadência naquele “século da humilhação”, entre o século XIX e até o final da Segunda Guerra Mundial, até retomar o seu lugar no mundo.

O encontro entre Trump e Xi pode ter tido a força de simbolizar isso.

Mesmo sem uma definição clara, essa reunião deixou uma marca institucional de que conversas entre os dois países seguirão tratando sobre temas sensíveis, que afetam o mundo inteiro. Continua um mundo de cooperação com tensionamentos, mas acomodados dentro de um marco estável para os próximos anos e comitês.

*Alberto Pfeifer é coordenador-geral do grupo de Defesa, Segurança e Inteligência da USP (Universidade de São Paulo) e pesquisador de geopolítica do Insper Agro Global. Foi diretor de projetos especiais e diretor de assuntos internacionais estratégicos da Presidência da República. Este texto foi transcrito em primeira pessoa de análise em vídeo para o WW.

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