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Alta nos preços de passagens aéreas é inevitável, dizem especialistas

nPreços já pressionados de passagens aéreas devem enfrentar uma turbulência adicional nos próximos meses com o reajuste do QAV (querosene de aviação) pela Petrobras.

A estatal anunciou nesta quarta-feira (1º) o reajuste de 55% no combustível, em meio ao choque do petróleo causado pelo conflito no Oriente Médio.

Especialistas ouvidos pelo CNN Money apontam que o aumento da Petrobras reforça um movimento já visto nas últimas semanas de alta nos preços das passagens, com um repasse inevitável e quase imediato aos consumidores.

Segundo Daniel Borges, CEO da Route Investimentos, as companhias aéreas não possuem margem para absorver esses choques, sendo obrigadas a transferir os custos para a ponta final.

“O consumidor vai sentir isso direto no valor da tarifa, mas também em um fenômeno que estamos vendo muito: a redução da oferta de voos para destinos menos lucrativos, o que encarece ainda mais as passagens por falta de concorrência”, observa Borges.

Em paralelo, a petroleira anunciou um mecanismo para reduzir os efeitos do reajuste no preço do QAV às aéreas.

A diferença poderá ser parcelada em seis vezes, com início dos pagamentos a partir de julho. A medida foi adotada em meio à forte alta do combustível, pressionado pelo conflito entre Estados Unidos e Irã.

Em nota, a Petrobras afirma que “a iniciativa busca mitigar os impactos imediatos sobre as companhias e preservar a demanda por voos”. Com isso, distribuidoras que atendem a aviação comercial terão, em abril, um reajuste efetivo de 18% no preço do QAV.

Se a proposta tiver grande adesão pelas distribuidoras, Tatiana Pinheiro, consultora econômica e pesquisadora da FGV-EESP (Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas), destaca que o repasse de preços ao consumidor terá uma transmissão alongada nos próximos meses.

Ademais, ressalta que o peso que isso vai ter dependerá se a demanda seguirá aquecida.

A Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas) alertou que, somados os aumentos de 9,4% de março e de quase 55% de abril, o QAV passa a responder por 45% dos custos operacionais das companhias aéreas.

“A medida tem consequências severas sobre a abertura de novas rotas e a oferta de serviços, restringindo a conectividade do país e a democratização do transporte aéreo”, diz nota da entidade.

Procuradas pela reportagem, Grupo Abra – controlador da Azul, Latam e Gol, afirmaram que vão se manifestar pela Abear.

Continuidade da alta

Apesar do anúncio da Petrobras nesta quarta, o aumento dos bilhetes já chamava a atenção do mercado.

A alta dos preços foi comprovada na prévia da inflação de março, com aumento de 5,94% – o maior impacto individual no avanço de 0,44% do IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo – 15).

Tatiana Pinheiro, sinaliza para a demanda aquecida do setor como vetor de pressão. “As pessoas já estão notando o aumento da passagem aérea mesmo antes do anúncio do reajuste da Petrobras”, pondera.

 

Novas estratégias

Fontes do setor ressaltam que as aéreas estão ocupadas tentando definir estratégias, e o consumidor pode ser diretamente impactado – com cidades podendo deixar de ser atendidas.

Em um contexto de choque de oferta, a representatividade pode chegar a 50%, uma fonte do setor relembra com base nos efeitos após a invasão da Ucrânia pela Rússia.

Naquele ano de 2022, o QAV da Petrobras fechou em R$ 5,08 o litro, preço já superado pela média de R$ 5,55 pós-reajuste desta quarta.

À época do conflito, as passagens aéreas chegaram a acumular mais de 100% de alta nos preços, segundo o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

“O impacto direto é na aviação civil. Nesse caso as passagens tendem a ficar mais caras e algumas rotas menos lucrativas podem ser encerradas ou ao menos ter a sua oferta reduzida”, avalia Vitor Sousa, analista de ações da Genial.

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