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Análise: Empresas defendem processo de transição para fim da escala 6×1

A Câmara dos Deputados deve realizar duas sessões extras no plenário nesta semana para acelerar a tramitação do projeto que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. O movimento reflete o interesse do mundo político em aprovar rapidamente a medida, amplamente vista como popular entre os trabalhadores.

Segundo o analista de Economia da CNN Fernando Nakagawa, as empresas defendem que a mudança não pode ocorrer de forma abrupta. “As empresas estão defendendo que é preciso ter um processo de transição, do atual regime para o novo“, afirmou. Segundo ele, a alteração envolve não apenas questões operacionais — como a reorganização de equipes — mas também impactos financeiros significativos, já que a mudança pode representar aumento de gastos para os empregadores.

Divergências sobre incentivos tributários

Um dos pontos mais polêmicos do debate diz respeito à concessão de incentivos fiscais às empresas durante o período de transição. A oposição sugere que as companhias recebam benefícios tributários para absorver os custos da mudança. O governo, no entanto, é contrário à proposta. Nakagawa destacou que muitos economistas, inclusive os ligados ao mercado financeiro, também se opõem à medida. “Muita coisa provisória no Brasil vira permanente”, alertou o analista, ressaltando que os incentivos poderiam se tornar mais um ônus permanente para as contas públicas.

Na avaliação de Nakagawa, em termos econômicos, os custos da transição deveriam ser divididos entre trabalhadores e empresas — os primeiros oferecendo mais produtividade, e os segundos, uma escala diferenciada com ganhos de eficiência. “Em tese, não precisaria ter dinheiro público na mesa”, disse o analista, ressaltando que essa é a visão predominante entre os economistas consultados.

Pressa política pode ser prejudicial

Apesar do consenso político em torno da aprovação do projeto — tanto governo quanto oposição indicam apoio à iniciativa —, Nakagawa alertou que a forma como a medida será aprovada fará toda a diferença. O analista reconheceu que os parlamentares têm em mente as eleições de outubro, mas ponderou que agir com excesso de velocidade pode ser prejudicial. “Ter pressa, neste caso, pode ser ruim, porque a possibilidade de você tomar uma decisão não tão boa cresce”, concluiu. Segundo ele, o tema ainda apresenta muitas questões em aberto e requer amplo debate antes de ser definitivamente resolvido.

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