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EUA e Irã estão perto de fechar acordo para encerrar a guerra, dizem fontes

Os Estados Unidos e o Irã estão perto de um acordo sobre um memorando de uma página para encerrar a guerra no Golfo, disseram uma fonte do Paquistão, país mediador, e outra fonte a par da mediação.

As fontes confirmaram informações inicialmente divulgadas pelo veículo de imprensa americano Axios. O memorando proposto, com 14 pontos e uma página, encerraria formalmente a guerra, seguido de discussões para desbloquear a navegação pelo Estreito de Ormuz, suspender as sanções americanas contra o Irã e concordar com restrições ao programa nuclear iraniano.

“Vamos concluir isso muito em breve. Estamos chegando perto”, disse a fonte do Paquistão, que sediou as únicas negociações de paz da guerra até o momento e continua atuando como mediador, encaminhando propostas entre as partes.

Notícias sobre um possível acordo fizeram os preços globais do petróleo despencarem, com os contratos futuros do petróleo Brent, referência internacional, caindo mais de 8%, para cerca de US$ 100 o barril (LCOc1).

As ações globais também dispararam e os rendimentos dos títulos caíram devido ao otimismo em relação ao fim da guerra que interrompeu o fornecimento de energia. O/RMKTS/GLOB

O memorando foi divulgado horas depois do presidente dos EUA, Donald Trump, suspender uma missão naval de três dias para reabrir o Estreito de Ormuz, alegando progresso nas negociações de paz.

O Irã afirmou que, agora que as “ameaças” dos EUA haviam terminado, a passagem pelo estreito seria possível sob novos termos que estavam sendo implementado, sem dar detalhes.

A Casa Branca, o Departamento de Estado e autoridades iranianas contatadas pela agência de notícias Reuters não responderam imediatamente aos pedidos de comentários.

O canal de notícias americano CNBC citou um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano dizendo que Teerã estava avaliando uma proposta americana de 14 pontos.

Principais exigências dos EUA não foram mencionadas 

A fonte informada sobre a mediação disse que as negociações dos Estados Unidos estavam sendo lideradas pelo enviado especial, Steve Witkoff, e pelo genro de Trump, Jared Kushner.

Se as duas nações aceitassem o acordo preliminar, isso iniciaria o prazo de 30 dias para negociações detalhadas visando um acordo completo, explicou a fonte.

A fonte também afirmou que o acordo completo incluiria a suspensão das sanções americanas e a liberação de fundos iranianos congelados, Teerã e Washington suspendendo os bloqueios concorrentes no Estreito de Ormuz e restrições ao programa nuclear iraniano, com o objetivo de buscar uma pausa ou moratória no enriquecimento de urânio pelos iranianos.

Embora as fontes tenham afirmado que o memorando não exigiria concessões de nenhum dos lados inicialmente, as fontes e o site Axios não mencionaram diversas das principais exigências que Washington fez no passado e que foram previamente rejeitadas pelo Irã.

Entre as exigências americanas não mencionadas estão: restrições ao programa de mísseis do Irã e o fim do apoio a milícias aliadas no Oriente Médio.

Embora as fontes tenham mencionado uma moratória sobre o enriquecimento futuro de urânio por Teerã, não fizeram referência ao estoque atual do país, que conta com mais de 400 kg de urânio enriquecido a níveis próximos ao necessário para armas nucleares.

Washington já exigiu que o Irã entregasse esse estoque como condição para o fim da guerra.

A reportagem da Axios afirmou que os EUA esperam respostas iranianas sobre diversos pontos-chave nas próximas 48 horas.

Trump suspende missão de guiagem de navios no Estreito de Ormuz

Mais cedo, Trump anunciou a suspensão do “Projeto Liberdade”, uma missão que ele havia anunciado dois dias antes para guiar navios através do estreito bloqueado.

A missão não conseguiu retomar significativamente o tráfego marítimo, ao mesmo tempo que provocou uma nova onda de ataques iranianos contra navios no estreito e contra alvos em países vizinhos.

No incidente mais recente, uma empresa de navegação francesa informou na quarta-feira que um de seus navios porta-contêineres foi atingido no estreito no dia anterior e que a tripulação ferida foi retirada.

Ao anunciar a suspensão da missão, Trump citou “grandes progressos” nas negociações com o Irã, sem dar mais detalhes.

“Concordamos mutuamente que, embora o bloqueio permaneça em pleno vigor, o Projeto Liberdade (a circulação de navios pelo Estreito de Ormuz) será suspenso por um curto período para verificar se o acordo pode ser finalizado e assinado”, escreveu o presidente americano nas redes sociais.

Trump havia dito na semana passada que provavelmente rejeitaria a última proposta de negociações do Irã. A oferta iraniana também continha 14 pontos e pedia ainda que a discussão sobre questões nucleares fosse adiada até o fim da guerra e a resolução da disputa marítima.

Em comentários sobre uma visita à China na quarta-feira, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, não mencionou as últimas declarações de Trump, mas afirmou que Teerã estava aguardando “um acordo justo e abrangente”.

Estreito fechado desde o fim de fevereiro

O Irã fechou efetivamente o estreito para toda a navegação, exceto a sua própria, desde que os Estados Unidos e Israel iniciaram a guerra em 28 de fevereiro. Em abril, Washington impôs seu próprio bloqueio aos portos iranianos.

A missão do Projeto Liberdade de Trump, que visava usar a Marinha dos EUA para abrir o estreito, não conseguiu convencer os navios mercantes de que era seguro, ao mesmo tempo que provocou novos ataques do Irã, que afirmou estar expandindo a área sob seu controle para incluir extensas faixas do litoral dos Emirados Árabes Unidos, do outro lado do estreito.

Enquanto a missão estava em vigor, drones e mísseis iranianos atingiram vários navios dentro e ao redor do estreito, incluindo um navio cargueiro sul-coreano que relatou uma explosão em sua casa de máquinas.

Teerã também atacou repetidamente alvos nos Emirados Árabes Unidos, incluindo o único grande porto petrolífero emiradense na costa além do estreito, o que permitiu algumas exportações sem a necessidade de atravessá-lo.

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