Henrique Moura Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, foi preso nesta quinta-feira (14) durante a sexta fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. A investigação aponta que o empresário integrava o chamado “núcleo violento” da organização criminosa investigada por supostos esquemas de intimidação, vigilância clandestina e crimes financeiros ligados ao grupo.
A prisão ocorreu em Belo Horizonte, simultaneamente ao cumprimento de outros seis mandados de prisão e 17 de busca e apreensão em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A investigação aponta que Henrique Vorcaro seria o responsável por demandar serviços e efetuar pagamentos a integrantes de estruturas criminosas conhecidas como “A Turma” e “Os Meninos”. Esses grupos, aponta a autoridade, atuavam em ações de vigilância, intimidação e suporte operacional contra desafetos do banqueiro.
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Henrique Moura Vorcaro se apresenta nas redes sociais como diretor-presidente do Grupo Multipar, holding imobiliária fundada em Belo Horizonte há cerca de 35 anos. Segundo informações divulgadas pela própria empresa, o grupo surgiu a partir das empresas Vorcaro Imóveis e Centro Sul Empreendimentos, inicialmente voltadas ao mercado imobiliário da capital mineira.
Ainda conforme a apresentação institucional, a empresa expandiu sua atuação para áreas como incorporação, construção civil e investimentos em imóveis comerciais e residenciais. Nos últimos anos, a holding também passou a investir em setores como educação, tecnologia, turismo, alimentação, mineração e hotelaria.
As investigações revelaram ainda a existência de uma conta bancária atribuída a Henrique Moura Vorcaro com saldo superior a R$ 2,2 bilhões. Segundo a decisão judicial, a suspeita é de que a conta teria sido usada para ocultar recursos desviados do Banco Master.
A Polícia Federal afirmou que os valores estavam “na conta do genitor de Daniel Vorcaro, Henrique Moura Vorcaro, junto à empresa CBSF DTVM, mais conhecida como Reag”. A instituição financeira foi responsável pela gestão de fundos de investimento por onde teriam passado recursos investigados no esquema.
A defesa de Henrique Moura Vorcaro nega que ele seja titular da conta citada pela investigação. Os advogados também solicitaram ao STF acesso aos documentos apresentados pela Polícia Federal durante o processo.
O nome de Henrique Moura Vorcaro também aparece ligado à Igreja Batista da Lagoinha por meio da relação familiar com Fabiano Zettel, pastor que celebrou o casamento da irmã de Daniel Vorcaro em 2018. Zettel foi preso em março durante a terceira fase da Operação Compliance Zero e é suspeito de receber R$ 190,2 milhões em dividendos de um fundo apontado como instrumento de lavagem de dinheiro.
No relatório tornado público horas depois da operação, André Mendonça afirmou que Henrique Moura Vorcaro é “demandante, beneficiário e operador financeiro do núcleo ‘A Turma’”. O documento ainda sustenta que ele atuava “em conjunto com o filho, em posição de colaboração direta, como solicitador e beneficiário de serviços ilícitos prestados pelo grupo”.
O magistrado também destacou que a organização continuou funcionando mesmo após a primeira prisão de Daniel Vorcaro, ocorrida em novembro do ano passado. Para a investigação, a estrutura criminosa manteve operações financeiras e atividades de apoio mesmo após as primeiras ações policiais.

















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