A CPFL Energia registrou lucro líquido consolidado de R$ 1,9 bilhão no primeiro trimestre de 2026, representando uma alta de 18,2% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O avanço foi impulsionado principalmente pelo desempenho das áreas de distribuição e geração, enquanto o Ebitda da companhia se manteve estável, em torno de R$ 3,8 bilhões entre janeiro e março.
Em entrevista exclusiva ao CNN Money, Gustavo Estrella, CEO da companhia, explicou que parte do resultado positivo decorreu de dois efeitos pontuais e não recorrentes. “A gente fez um reconhecimento de alguns créditos tributários de uma ação”, afirmou.
Além disso, a empresa realizou uma captação de R$ 4,4 bilhões a um custo abaixo da média de mercado, o que gerou impacto positivo no balanço por meio da marcação a mercado.
“Eu diria que os dois efeitos são pontuais e não recorrentes, dado que são itens bastante específicos, mas, de fato, trazem uma melhora no resultado da companhia”, destacou.
Queda no consumo e migração para o mercado livre
O balanço também revelou uma queda de 7,8% na quantidade de energia faturada para os consumidores cativos.
Estrella atribuiu o recuo principalmente às temperaturas mais baixas registradas no trimestre em comparação ao ano anterior, o que reduziu o volume de energia faturada. Ainda assim, o Ebitda se manteve nos mesmos patamares.
Em paralelo, a demanda na área de concessão cresceu 4,5%, divergência explicada pela contratação antecipada de demanda por parte de clientes que antecipam aumento futuro de consumo. “O consumo é pontual, a demanda tem muito a ver com a perspectiva de crescimento futuro de consumo”, disse.
Sobre a migração de clientes do mercado cativo para o mercado livre, Estrella destacou que o processo segue em curso desde o ano passado, restrito atualmente aos clientes do grupo A, de alta tensão.
A expectativa é que a abertura total do mercado ocorra entre o final de 2027 e o início de 2028, quando clientes residenciais e comerciais de baixa tensão também poderão migrar.
Renovação das concessões e plano de investimentos
O executivo também comentou a renovação dos contratos de concessão das distribuidoras por mais 30 anos, evento ocorrido nas semanas anteriores à divulgação dos resultados.
Estrella ressaltou que a medida restabelece a previsibilidade de longo prazo para os negócios. “Voltamos a ter essa perspectiva de longo prazo dos investimentos”, afirmou.
No dia da assinatura, foram anunciados R$ 130 bilhões em investimentos para os próximos cinco anos por todas as companhias envolvidas, dos quais R$ 23,6 bilhões referem-se às empresas do Grupo CPFL.
Em relação ao endividamento, a dívida da companhia chegou a pouco mais de R$ 30 bilhões, alta de 15,4% no comparativo anual, com alavancagem de 2,3 vezes.
Estrella explicou que o aumento é consequência natural do crescimento dos investimentos, que praticamente dobraram nos últimos anos, passando de R$ 3 bilhões para R$ 6 bilhões anuais.
“A gente hoje tem um nível muito adequado e confortável para crescer a nossa alavancagem, para suportar, ao mesmo tempo, o nosso plano de investimentos e também a manutenção do nosso pagamento de dividendos”, pontuou, acrescentando que o covenant financeiro da companhia é de 3,75 vezes, o que indica espaço para crescimento adicional da alavancagem.
Geração eólica, curtailment e data centers
A geração eólica registrou queda de 12,3% no trimestre, impactada tanto por ventos mais fracos quanto pelo curtailment.
Estrella citou a aprovação da Lei 15.269, que regulamenta o tema, como um avanço importante, embora ainda pendente de regulamentação definitiva. “Ela não resolve completamente, mas é um avanço do que a gente tinha até então”, avaliou.
O executivo também apontou o crescimento da geração distribuída, que já alcança 50 gigawatts de capacidade instalada, como um fator que aumenta a intermitência no sistema e agrava o problema do curtailment.
No segmento de data centers, Estrella relatou demanda crescente nas áreas de concessão da companhia, especialmente no interior do estado de São Paulo, com crescimento de 24% em relação ao ano anterior.
No entanto, restrições na rede de distribuição e nas redes de alta tensão de transmissão limitam a capacidade de atendimento.
Atualmente, os data centers representam cerca de 8% da classe comercial e 1,3% a 1,4% do consumo total da companhia. “A demanda é muito maior do que isso”, reconheceu, destacando o potencial de crescimento do segmento e o desafio de viabilizar os investimentos necessários no prazo exigido pelo mercado.

















Leave a Reply