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Tensão entre Lula e Congresso ameaça travar fim da 6×1 e PEC da Segurança

A relação entre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o Congresso Nacional entrou em um novo nível de desgaste e já ameaça comprometer o avanço de pautas consideradas estratégicas pelo Palácio do Planalto, como o fim da escala 6×1 e a PEC da Segurança Pública. Pesquisa Datafolha divulgada neste domingo (17) mostra que 70% dos brasileiros enxergam mais confronto do que colaboração entre Executivo e Legislativo, enquanto apenas 20% percebem um ambiente de cooperação.

O levantamento ainda aponta que 89% das pessoas que identificam esse embate avaliam a situação como negativa para o país. O resultado reforça o cenário de dificuldades políticas enfrentado pelo governo em meio ao ano eleitoral e amplia os sinais de desgaste da articulação de Lula no Congresso.

Nas últimas semanas, o Planalto acumulou derrotas simbólicas no Legislativo que evidenciaram a fragilidade da base governista. Entre os principais reveses estão a rejeição do nome de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) e a derrubada do veto presidencial ao PL da Dosimetria.

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A tensão entre os Poderes pode afetar diretamente a tramitação das principais propostas do governo previstas para 2026. Uma das prioridades é o projeto que prevê o fim da escala 6×1, com redução da jornada semanal para 40 horas, dois dias de descanso remunerado e manutenção dos salários.

A proposta tem forte apelo popular e tramita em regime de urgência, com previsão de votação na Câmara por volta do dia 27 de maio. Apesar disso, setores empresariais e parlamentares da oposição defendem compensações, como desoneração da folha de pagamento, o que pode atrasar a votação, provocar mudanças no texto ou reduzir o alcance da medida.

Outra pauta considerada prioritária é a PEC da Segurança Pública, apresentada pelo governo como uma resposta à crescente preocupação da população com a criminalidade. A proposta busca ampliar a coordenação da União sobre políticas de segurança, mas está parada no Senado desde março e enfrenta resistência de parlamentares contrários ao aumento da influência federal na área.

Messias de novo

Mesmo diante do desgaste, Lula avalia manter o enfrentamento político com o Congresso. Apurações publicadas neste fim de semana pelos jornais O Globo e Folha de S. Paulo indicam que o presidente pode reenviar o nome de Jorge Messias para a vaga aberta no STF, apesar da rejeição sofrida pelo advogado-geral da União no fim de abril.

Dentro do governo, a avaliação é de que recuar agora consolidaria uma imagem de fraqueza política diante do Senado e do Centrão. Segundo aliados do presidente, a estratégia seria esperar um ambiente menos tensionado para tentar uma nova ofensiva política.

Messias foi rejeitado pelo plenário do Senado por 42 votos a 34, na primeira derrota de um indicado ao STF em mais de 130 anos. O episódio foi tratado nos bastidores de Brasília como um duro recado do Congresso ao governo Lula e também à própria Corte.

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