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Escassez de testes atrasa combate ao Ebola no Congo, diz OMS

A escassez de teste para detectar Ebola está atrasando o combate ao surto da doença na República Democrática do Congo (RDC), disse Anne Ancia, representante da OMS (Organização Munidal da Saúde), acrescentando que seis toneladas de suprimentos médicos para combater o surto devem chegar à RDC nesta terça-feira (19).

Segundo a OMS, já foram registrados pelo menos 500 casos suspeitos e 130 mortes suspeitas de Ebola, que também se espalhou para o país vizinho Uganda.

“Enviamos 12 toneladas de suprimentos. Mais seis chegam hoje. Eles incluem equipamentos de proteção individual para os profissionais de saúde da linha de frente e amostras”, disse Anne Ancia, representante da OMS no Congo.

Ancia afirmou que há “grande incerteza” sobre a extensão e a escala do surto da cepa Bundibugyo do Ebola, e esforços estão em andamento para aumentar a vigilância, a testagem e o rastreamento de contatos.

Ela explicou que os testes para a cepa Bundibugyo são limitados, sendo possível realizar apenas seis testes por hora. O surto levou semanas para ser detectado, em parte porque os testes usados na zona afetada foram desenvolvidos para a cepa mais comum, Zaire.

“A capacidade de vigilância e de investigação é muito limitada nesta região em geral”, disse.

A BioFire Defense, afiliada da empresa francesa de diagnósticos bioMerieux BIOX.PA, produz um teste aprovado pelo FDA, a administração de alimentos e medicamentos dos EUA,  BioFire Global Fever Special Pathogens Panel, que pode detectar múltiplas espécies de Ebola, incluindo a Bundibugyo.

Um porta-voz da empresa afirmou que a produção está sendo ampliada para ajudar nos esforços de preparação.

“A BioFire Defense está ativamente engajada com autoridades de saúde pública e contatos internacionais para monitorar a evolução do surto e avaliar possíveis necessidades de apoio”, disse o porta-voz.

Segundo Ancia, a falta de financiamento tem um impacto enorme na capacidade da OMS de combater a Ebola.

Os Estados Unidos deixaram oficialmente a OMS em janeiro e, sob o governo do presidente Donald Trump, reduziram drasticamente os gastos globais com saúde, mas a cooperação com os EUA no combate ao surto estava “muito, muito boa”, disse Ancia.

“Entendemos que não podemos receber o financiamento, tudo bem, mas queremos continuar conversando, trocando informações e colaborando”, afirmou.

O escritório humanitário da ONU, OCHA, disse que recebeu apenas 34% dos 1,4 bilhão de dólares solicitados para a República Democrática do Congo este ano, sendo que mais da metade veio de Washington.

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